Opinião
O MUNDO VAI ACABAR
Desde pequenino a gente escuta os ?profetas? preconizarem o fim do mundo. Aliás, me veio a ideia de escrever este artigo ao contemplar, sobre as nuvens a dez mil metros de altura num voo para São Paulo, aquele imenso universo lá em baixo. Rasgando o espaço, imponente e poderoso, vermelho como uma gigante bola de fogo rompendo a escuridão da madrugada, surge a luz que ilumina o planeta terra, ?o irmão sol?, como dissera São Francisco. Deliciando-me com o espetáculo da Natureza, fiquei a imaginar se o mundo há muito já não está sendo destruído pelo bando de loucos que o habita! As guerras inúteis que eclodem para o bel-prazer de governantes psicopatas, obsessivos; o caos no atendimento da saúde dos seres humanos em hospitais imundos; a precariedade da educação, do básico às universidades que diplomam jovens completamente desqualificados para o mercado de trabalho. A fome que esvazia cada vez mais a barriga de milhões de miseráveis em todos os continentes. A família que se fragmentou e ficou sem rumo. Filhos desnorteados porque os casamentos viraram contrato de curta temporada. A sociedade que ficou omissa e não cobra compromisso e responsabilidade a quem é de direito. Dizem que Alagoas é um Estado violento. Está violento, sim. O Brasil está violento, o mundo está sangrando pela violência. O ódio entre nações, o preconceito racial, o homofobismo que assassina pela simples satisfação de matar. A violência está vindo de trem bala carregada de drogas. A pior de todas, que antes satisfazia o vício dos pobres, agora circula nos carrões importados, frequenta rodas de luxo. O consumo do craque fugiu ao controle, virou a lepra dos tempos modernos que aos poucos vai disseminando famílias independentes de condição social. A brutalidade contra a mulher, a bestialidade do estupro praticado a menores pelos próprios pais dentro suas casas. As organizações criminosas que se enraízam nos bastidores dos poderes constitucionais. O comércio da fé que cresce incontrolavelmente liderado pelos autodenominados bispos e apóstolos surripiadores do último prato de farinha que resta na mesa dos desesperados. Esse mundo realmente precisa acabar para que surja outro melhor, solidário, compromissado com o bem-estar social, com desenvolvimento sustentável, com líderes do bem, com uma democracia consciente e plena.