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Opinião

HIST�RIAS QUE VALEM LI��ES

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Érico Veríssimo, escritor gaúcho, não era médico, mas gostava de temas médicos. Em Olhai os lírios do campo, conta a história do dr. Eugênio Fontes, que, menino pobre, estuda Medicina, apaixona-se por uma idealista colega, Olívia ? mas faz a opção por uma vida de conforto, casando com Eunice, filha de um riquíssimo empresário. Desgostoso com essa existência fútil e consumista, voltou a exercer a medicina, agora encarando a profissão por seu lado social e humano. Aproveito para contar a história de Luana, nascida de boa linhagem financeira e educada no Rio de Janeiro, com conforto e bem estar. Dez anos depois, voltou a Maceió. Um fato define seu caráter. Paquerada por dois possíveis candidatos, um deles foi desprezado pela família, que afirmava: ?um Zé Ninguém, sem eira nem beira, dono de uma pequena loja de móveis, sem nenhum futuro?. Entretanto, essa não era a visão de Luana. Voluntariosa, namorou e casou com o desprezado Porfírio. Decidiram não querer dinheiro nenhum da rica família dela. Após uma curta lua de mel, Luana adentrou na casa de móveis do marido. Com seus conhecimentos de arquitetura ampliou o espaço, adquiriu móveis novos, modernos. Sorte ou destino a movelaria virou sucesso e prosperou. Vinte anos são passados e 20 convidados especiais comemoravam o aniversário da dona da casa. Digo melhor 21, desde que uma convidada levara uma amiga recém-chegada do Sul. Ao vê-la, a dona da casa sentiu uma antipatia instintiva. Sua psicologia lhe dizia que ela era pé-frio, olhos verdes malignos desses que matam roseiras. Meia hora passada e gritos são ouvidos. Era a tal convidada que gritava a plenos pulmões que sua carteira havia sido roubada com dinheiro, cheques, cartões. Porfírio aproximou-se: pediu calma. Perguntou e perguntou, mas ela afirmava que havia trazido a carteira e essa estava desaparecida. Mal-estar geral. Luana aproximou-se. Sugeriu ao marido que a levasse para casa. Uma hora depois, Luana recebeu uma ligação do marido. Ao chegar ao edifício onde morava, a mulher verificou ter deixado a carteira na portaria enquanto esperava o transporte. Luana gritou a plenos pulmões: ?alegria, alegria!?. E acrescentou para riso de todos: ?Que ela aprenda uma lição: é necessário olhar duas vezes para poder acreditar; é necessário pensar três vezes antes de acusar alguém?. A festa rolou até a madrugada.

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