Opinião
O pouso do navio voador
Antes tarde que nunca, vaticina a filosofia popular. Enfim, depois de longo e tenebroso calvário de vetos (políticos), Alagoas teve liberada a instalação de um estaleiro de grande porte. Mas antes de comemorar é melhor observar atentamente os próximos passos, pois como renitentes bloqueios anteriores foram embasados em esdrúxulos, e até engraçados, argumentos que nada tinham de técnicos, quem sabe, novos bois poderão aparecer na linha... Mas parece que volta a vigorar em Alagoas os mesmos critérios pelos quais foram apreciados e liberados outros estaleiros noutros Estados. Melhor assim, pois as leis e os procedimentos técnicos devem ser os mesmos para todos. Sem discriminação. Tantos foram os obstáculos criados frente ao projeto do estaleiro se instalar no Litoral alagoano que muitos descriam da hipótese da obra ter início um dia. Tinha sua razão de ser. Afinal, quando ao processo técnico foi acostado um rol de negativas que incluíam uma incrível fundamentação de que a realização do projeto ?atrairia favelas?, tudo passou a ser impossível. Eis que o Ibama anunciou a liberação do Relatório de Impacto Ambiental, aprovando a instalação do Eisa em Coruripe. Ufa! Naturalmente uma série de etapas novas se apresenta, novas dificuldades poderão surgir, ou mesmo serem criadas pelo mesmo espírito reacionário que teima em se interpor entre Alagoas e o caminho do desenvolvimento e da diversificação industrial. Mas estamos diante de um fato novo: a via está livre de sua primeira grande obstrução. O estaleiro que pairava no ar agora tem sua aterrissagem autorizada. É um enorme passo. Espera-se que, sob a batuta de um grande e experiente grupo privado, o cronograma da obra não se arraste ao passo de tartaruga que tem caracterizado os canteiros alagoanos, como no caso do trabalho de duplicação do pequeno trecho de rodovia entre Maceió e Barra de São Miguel, que, certamente, constituíram-se nos mais demorados trinta quilômetros a serem construídos no mundo. Parafraseando-se um dístico governamental, pode-se repetir que, de fato, Alagoas tem (muita) pressa.