Opinião
OS NATAIS
Diversa é a celebração do Natal, conforme o compromisso cristão e a sensibilidade religiosa de cada um. Há o Natal do consumo, que é o Natal dos presentes, dos shoppings lotados, das ruas do comércio apinhadas de pedestres apressados, dos comerciantes calculando os lucros em comparação a outras datas do calendário festivo. É o Natal dos cartões sem nenhuma referência ao divino aniversariante, das árvores gigantescas. É o Natal do Papai Noel e, agora, o Natal digital! Há o Natal da ceia natalina, o Natal do peru e dos vinhos caros, reunindo parentes vindos de outras cidades para a ceia da meia-noite. Há o Natal histórico, comemorando o fato acontecido pelos anos 6/5 da era cristã na Judéia, relatado pelo evangelista Lucas, em que uma virgem, chamada Maria, desposada com um carpinteiro de nome José, deu à luz uma criança, que envolveu em paninhos e reclinou numa manjedoura em uma gruta nos arredores de Belém de Judá porque, apesar de serem descendentes do rei Davi, não haviam encontrado lugar para eles na cidade, durante o recenseamento ordenado pelo imperador César Augusto. Os pastores, que guardavam seus rebanhos nos arredores de Belém, foram notificados do fato extraordinário por anjos do céu e convidados a ir adorar o recém-nascido na gruta, sempre segundo Lucas. E a fé cristã nos diz que este Menino de Belém é o próprio Filho de Deus feito homem para nossa salvação. Há, finalmente, o Natal da missa do galo, com a celebração da divina Eucaristia naquela noite santa, preparada com a recepção do santo sacramento da penitência ou confissão, para uma piedosa comunhão e uma participação digna e frutuosa do sacrifício eucarístico. Este é o Natal da Igreja, é o nosso Natal. Este deve ser o nosso Natal, sem desprezar os outros, mas colocando o Natal do Papai Noel, da árvore, dos presentes, dos cartões e da ceia natalina em posição de dependência da celebração litúrgica da noite santa do nascimento do Filho de Deus feito homem por nosso amor.