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A LOUCURA NO BANCO DOS R�US

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Luiza Nagib Eluf é a autora de A Paixão no Banco dos Réus, opúsculo que oscila entre o Jornalismo Investigativo e o Direito. Ali são relatados os mais rumorosos casos de (loucos) crimes passionais do País, desde a época do império, delito praticado por Pontes Visgueiro, um sexagenário alagoano, magistrado, residente no Maranhão. Crime bárbaro contra uma adolescente que enlouqueceu Visgueiro. São impressionantes os detalhes que culminariam com o assassinato da cultuada professora Margot Proença, a mãe de Maitê Proença, crime cometido pelo marido, um ensandecido promotor de Justiça, que, aliás, anos depois se suicidaria. O livro também vai fundo na atribulada vida de Ana, esposa de Euclides da Cunha, cujo amante, Dilermando, depois marido, mataria não só o iracundo autor de Os Sertões, como também o filho deste (e de Ana). O curioso é que, em ambas ocasiões, os crimes teriam sido praticados em legítima defesa. Embora não conste ainda do texto da dra. Nagib, acho que em breve ela acrescentará as tragédias protagonizadas por duas mulheres: Elisa, a ex-prostituta que esquartejou o marido japonês e Carla Cepollina, temperamental advogada que teria compartilhado dos últimos momentos de vida do polêmico coronel Ubiratan. Comovente foi o caso do advogado Galvão Bueno. Atingido por um tiro disparado pela esposa, Bueno chegaria vivo ao hospital. O depoimento do médico que o atendeu seria fundamental para a absolvição da assassina. Consta que o ferido, um renomado criminalista, em agonia, teria dito ao cirurgião: ?Doutor, por favor me salve; preciso defender minha mulher?. Antes de desejar boas festas, um último comentário sobre mortes violentas, em massa. Se os moveis nos crimes passionais são o ciúme, a traição (real ou imaginária), a ?perda da posse?, em chacinas, como as recorrentes dos Estados Unidos, a loucura ou uma pseudomotivação política é destaque. Loucos desarmados jogam pedras, picham paredes, discursam em vias públicas... Loucos armados fazem o quê? Loucura mata. No Brasil, tivemos dois casos emblemáticos, superponíveis aos americanos. Um deles, em São Paulo, num cinema. O outro, numa escola do Rio de Janeiro. Em ambos ficou comprovada doença mental grave. Hitler, Mao e Stalin estariam enquadrados em outra fatia nosológica. De qualquer forma, um tratamento psiquiátrico, com internamento compulsório dessa turma, poderia ter salvado a vida de milhões de inocentes.

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