Opinião
O emprego e a economia
Definitivamente, a economia não é uma ciência de compreensão tão fácil e simples como supõe a vã filosofia. Quando todos estão a reclamar do pífio desempenho do PIB brasileiro, a taxa de desemprego, ao invés de subir, decresceu como nunca dantes na história da coleta de dados dessa série histórica, há dez anos. Em novembro, em meio à melancolia causada pelo registro do PIB do trimestre anterior em míseros 0,6% e uma projeção de 0,9% para o último trimestre do ano, eis que a taxa de desemprego assinalada em novembro foi de apenas 4,9%, a mais baixa coletada no 11º mês desde 2002. Ou seja, em novembro de 2012, existiam 8% de pessoas procurando emprego a menos que no mês anterior. Escrevendo mais claro ainda, 1,2 milhão de trabalhadores que estavam desocupados em outubro encontraram emprego. Como a previsão de PIB para esse trimestre é de +0,9%, poder-se-ia garantir que o desemprego vai ser ainda mais achatado em dezembro? Não tão certamente, embora a evidência do reforço da oferta dos empregos temporários adicionais para o período natalino reforce tal perspectiva. Em resumo, a torcida do ?quanto pior melhor? não deve antecipar tanto assim, pois o Brasil ainda está no páreo. Motivos para escoicear não faltarão, provavelmente, no primeiro trimestre de 2013, pois as previsões menos parciais indicam um decrescimento na ordem de 0,3%. Porém, esses mesmos oráculos dizem que o próximo ano fechará com um crescimento real do PIB na faixa dos 3%. Melhor para o Brasil. Melhor para os brasileiros, se a oferta de emprego seguir, mais ou menos, como no mês passado. Melhor para o mundo, se um país emergente com os potenciais como o nosso seguir firme na senda do desenvolvimento, pois tal ascensão é benéfica para a economia mundial e especialmente benéfica para a distensão geopolítica global. Mesmo complexa e, às vezes, marcada por sobressaltos tidos como imprevisíveis, a economia ainda é a mola mestra do mundo. E do Brasil. Buscar entendê-la, portanto, é fundamental.