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Opinião

NATAL DOS CONDENADOS

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Para muitas pessoas o Natal aguça um sentimento de profunda solidão apesar da convivência agitada das cidades, onde gente saindo e entrando de todos os lugares se engalfinha pelas ruas e lojas, ansiosas para comprarem presentes. Renovarem seus estoques de roupas, calçados, adornos. Satisfazerem desejos de parentes, amigos com aquela lembrancinha cativante. Natal é tempo das belas decorações nos estabelecimentos comerciais. Das propagandas tentadoras, criativas, evocando a cresça da grande Confraternização Universal, que estimulam ainda mais o consumo. De uma forma ou de outra, na alegria ou na tristeza, relembrar o nascimento de Jesus, é para os cristãos um momento sublime. É uma época tão fraterna que até pessoas que não possuem compromisso político ou religioso, se rendem ao espírito humano da solidariedade. São os chamados Anjos da Noite, grupos compostos por voluntários de todas as idades que doam, além do seu tempo, roupas, agasalhos, um pouco de comida aos excluídos e moradores de rua. A isso podemos chamar, verdadeiramente, de um gesto de amor que pode ficar marcado para sempre nos corações da gente humilde carimbada pelo sofrimento cotidiano. Uma ação louvável de elevar um pouco a autoestima de irmãos, pelo menos no silêncio da noite em que, simbolicamente, festejamos o nascimento do Rei dos Reis. É Natal também para os outros condenados pelo julgamento popular e pela justiça do País que, finalmente, já que o mundo não acabou, acende a esperança de uma luz no fim do túnel. Como não foram parar atrás das grades ainda, na ceia de ontem, certamente tiveram tempo de brindar com suas taças de cristais transbordando de Moët & Chandon; não para louvar o sentido do Natal, mas talvez brindando a aposta de quem ficará menos tempo na cadeia. Suas orações devem ter sido um dedilhamento no rosário de impropérios contra os ministros do STF, principalmente direcionados ao relator Joaquim Barbosa. E aqui, na província, será que as lagartas de fogo condenadas teriam se lembrado de dividir um pouco o pão que tiraram da boca de milhares de miseráveis castigados pelas desventuras da vida? Que o Natal seja paz, amor e fortaleça a consciência dos homens de que o Brasil precisa de ampla reforma política e Alagoas não pode ter donos, mas poderes comprometidos com o bem estar de todos.

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