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Os dramas da infraestrutura

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Como em todo fim de ano, a confecção da retrospectiva anima a mídia e os estudiosos ? sem falar nos salutares curiosos ?especialistas? ? e estimula os mais amplos debates. O pouco vistoso crescimento do PIB brasileiro será a Piáce de Résistance dos avaliadores de desempenho global. Como tudo nesses dias de intensa pressão midiática, a tímida performance brasileira, comparada com os demais Brics e perfilada junto à recuperação do posto de 6ª economia mundial pela Inglaterra, alimentará os pessimistas de plantão. E, reconheçamos, uma ponta de razão. Para além dos interesses políticos, é de fundamental importância a crítica consubstanciada tendo como foco as iniciativas, políticas e práticas, levadas adiante no ano quase findo. Um dos itens mais importantes a observar é a indesculpável timidez do investimento público em infraestrutura. Equivocadamente, esse debate tem sido polarizado pela inexorável proximidade da Copa do Mundo 2014, o que de fato se constitui numa grande preocupação. Porém, por mais relevante que seja o mundial de futebol, mais relevante ainda é a necessidade do brasileiro em dispor cotidianamente de uma rede logística moderna, eficiente, capaz de responder ao solicitado pelo próprio processo de crescimento econômico nacional. Rodovias sucateadas, ferrovias indigentes, malhas urbanas saturadas, aeroportos insuficientes (e muitos subutilizados), portos abandonados... Infelizmente, em termos estratégicos, a Copa do Mundo é um detalhe. O problema maior está no trânsito e escoamento das riquezas, sem falar na incapacidade de ser dada vazão à demanda mínima do brasileiro por viagens pelo território nacional. Segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), ?os investimentos do setor neste ano vão crescer apenas 6% ? o segundo pior resultado desde 2004. No ano passado, os investimentos haviam crescido 2%?. Ou seja: desgraçadamente, pelo menos em termos de infraestrutura, 2012 desponta como um ano perdido. Reverter esse quadro em 2013 é uma questão da maior importância.

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