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Opinião

UM CENTAVO

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Enquanto a República capenga com os infindáveis escândalos, eis que, demonstrando verdadeira aversão à religiosidade brasileira, o procurador Jefferson Aparecido Dias, do Ministério Público Federal em São Paulo, após investir contra a aposição de crucifixos em repartições públicas, veio, desta feita, querer banir a expressão ?Deus seja louvado? das notas de real. Apregoa que ?A manutenção da expressão ?Deus seja louvado? [...] configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro?. Esquece o ilustre procurador que, como bem lembra Reinaldo Azevedo em seu blog, nossa Constituição reza ter sido promulgada ?sob a proteção de Deus?. Só falta querer cassá-LO, também, da Constituição. Mas foi infrutífera sua pretensão. A juíza Diana Brunstein, da 7ª Vara Federal em São Paulo, em boa hora, recusando sua ação, disse que ?não houve oposição aos dizeres inscritos na cédula no âmbito do seio social? e ressaltou que o Ministério Público não ouviu instituições laicas ou religiosas de outras denominações que se manifestassem contra a presença da frase. E não custa nada lembrar que, há muito se sabe, ?Deus é brasileiro?. Em se tratando da moeda nacional, a sanha perseguidora deste senhor a Deus deixou-o cego, a ponto de não ver que ela está incompleta nos seus valores fundamentais. Desde priscas eras que nossa pátria tem seu dinheiro fracionário, porém há alguns anos não se vê a moedinha de um centavo. Então, muitas vezes, ficamos olhando para um troco que nos passam, com cara de trouxas. Se deveríamos receber sete centavos, só recebemos cinco. E sabe quem perde com isto? Exatamente a população mais pobre. Não usa cartão de crédito ou débito. Só lhe resta o dinheiro vivo. Aí, sai perdendo dois centavos aqui, três ali e no final do mês vai-se o dinheirinho de alguns pães. Se o argumento for em virtude do custo para cunhá-la, é bom lembrar que custo maior tem o consumidor com essas perdas. É questão de proporcionalidade. E o desprezo é generalizado. Haja vista o preço dos combustíveis que são estampados em valores unitários inexistentes. Este, sim, seria um bom motivo para o senhor procurador acionar o Ministério da Fazenda e o Banco Central, pois todo país que respeita a cidadania zela pela integralidade de sua moeda. E é de centavos que ela é constituída.

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