Opinião
As nossas escolhas
Escolher entre os bons e bonitos, ou limpar os banheiros? Eu trabalho com crianças ?especiais?. Vejo a fragilidade humana, diuturnamente. Eu posso aderir ao princípio de que possam haver homens (ou mulheres...) com elevados predicados estéticos, éticos, culturais, afetivos, sim, eles existem. Minoritariamente. A história de vida deles propiciou esse desenvolvimento pessoal deles, a genética, a educação básica, a família, os estímulos adequados, uma boa infância e o próprio esforço individual que eles empreenderam para sua evolução pessoal. Mas a vida não são as exceções. E, ao procurarmos os supostamente perfeitos, podemos esquecer daqueles que, se tivessem tido chances e oportunidades, poderiam ter tido um upgrade existencial considerável. Eu cuido daqueles que vivem a falta, a ausência. Eu sou solidário ao presidiário que perdeu a cabeça ao cometer um crime, à mulher que perdeu o controle de seus desejos ?libidinosos? e traiu o marido, ao homem que espancou sua companheira, confundindo seus algozes e suas frustrações e vitimizando quem nada teve de culpa e aos filhos que sofrem maus-tratos dos pais, que deveriam, sim, protegê-los. Quem é o culpado? A quem devemos punir? Siga teus instintos (na verdade, é o que todos fazemos...). Eu optei por ?lavar? as feridas dos leprosos (é uma figura de linguagem apenas). Nesta vida, dado o jogo de interesses que comandam as relações humanas, pouco podemos fazer. O que nos resta é, com um grande amor, fazermos pequenas coisas pelos menos dotados. Precisamos, no meu entendimento, amarmos as pessoas quando elas menos merecem, pois é quando elas mais precisam! Ou vamos optar em fazer uma sociedade ?elitizada?, onde só os ?bons?, inteligentes, bonitos e perfeitos tenham vez? Faça a sua escolha. Eu já fiz a minha!