Opinião
Carvoaria em escala mundial?
Segundo relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), por volta de 2022, o petróleo deverá ser superado como principal fonte energética mundial pelo... carvão! Dizem os estudiosos do IEA que ?a mudança seria impulsionada por um aumento da demanda por energia na Índia e na China, grandes consumidores de carvão, em função do crescimento econômico e aumento da população desses países?. Pelas informações divulgadas pelas agências noticiosas internacionais, não fica clara a qualificação da origem do carvão. Seria mineral ou vegetal? Ou os dois e em qual proporção? Para o brasileiro, a simples menção do carvão remete à origem vegetal, aflorando à lembrança das tristemente famosas ?caieiras?, ou carvoarias, onde o produto do desmatamento era transformado, pela queima ?abafada?, no popular carvão consumido contemporaneamente em churrasqueiras. Para o mundo industrializado, o termo corresponde a uma rocha sedimentar, semelhante ao petróleo, formada por ?restos soterrados de plantas tropicais e subtropicais, especialmente durante períodos Carbonífero e Permiano? ? conforme resume a Wikipédia, acrescentando que ?entre os diversos combustíveis produzidos e conservados pela natureza sob a forma fossilizada, acredita-se ser o carvão mineral o mais abundante. Com o coque e o alcatrão de hulha, seus subprodutos, é vital para muitas indústrias modernas?. Na onda das máfias ambientalóides, a versão brasileira desta notícia deverá ser traduzida pela mídia como uma ameaça evidente de transformação da Amazônia em puro carvão vegetal, certamente através de uma caieira de proporções pantagruélicas. Para os mais letrados, a informação deverá conduzir a reflexões sobre a evidente constatação de, assim como o petróleo, o carvão mineral é uma fonte tão fundamental (usada na metalurgia e siderurgia) quanto finita. E o aumento de sua exploração vai exigir o estudo de fontes alternativas. E aí entra o Brasil, que, apesar das resistências, precisa descobrir-se em seu enorme potencial energético ? que nada tem a ver com o ancestral carvão vegetal.