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LEI SECA, AQUI, � FURADA

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Um colega médico, sujeito pacato e respeitador das leis, recentemente, após uma semana dura de trabalho, saiu com a esposa para jantar. Tomaram juntos, cada um, um cálice de vinho. No retorno para casa, foi parado por uma blitz policial. Terminou penalizado com perda de pontos na carteira e uma multa de dois mil reais. A bem vinda Lei Seca,que pode evitar tantas mortes, principalmente de jovens, foi contemplada recentemente com vigoroso implemento: aumentaram muito as suas possibilidades de aplicabilidade e sua multa. Cesare Beccaria afirmava que é melhor prevenir os crimes que puni-los. Essa lei deveria seguir o exemplo dado pelo Supremo: ser usada para todos, sem privilégios. Infelizmente, entre nós, a sua aplicação tem sido mais para contemplar as aparências e para efeito cosmético que real. Fatos repetidos de descumprimento dessa louvável lei observam-se diariamente na região mais nobre de nossa cidade: a orla da Ponta Verde; não precisa ser época de festas. Os recorrentes abusos ocorrem principalmente após noitadas de uso excessivo de álcool, pelos frequentadores de conhecida boate da Sílvio Viana: após fechar ao alvorecer, os frequentadores estendem a orgia, ligam gigantescas caixas de som, bebem ainda mais, assumem a direção dos veículos e cantando pneus, saem, transformam a região em imenso manicômio. Isso, a poucos metros da guarnição da Força Nacional que, com o Detran, ignora totalmente as repetidas barbaridades. A última ocorrência bizarra decorrente dessa boate, foi de um de bêbado dando cavalos de pau em frente à guarnição da Polícia Militar que tinha sido chamada pelos moradores desesperados: o bêbado bradava ser filho de oficial da PM, e não aceitava restrições. Os muitos que praticam as caminhadas na orla, nessas horas iniciais do dia, que deveriam ser de placidez e de comunhão com a bela natureza da região e os motoristas normais, são ameaçados pela insânia desses malucos e pela omissão das autoridades policiais. Os penalizados pela admirável lei e os demais motoristas que a respeitam, gostariam de saber qual o salvo-conduto, qual a imunidade que permite essa transgressão aos beberrões da orla, enquanto eles são severamente punidos por um único cálice de vinho. Aristóteles afirmava ?A lei é ordem; e uma boa lei é uma boa ordem?. Nesse caso, então, da louvável Lei Seca, aqui em Alagoas, que foi destaque nacional em violência no trânsito no ciclo natalino, a sua aplicação peca pela negligência e pela omissão ? é só circular pela orla diariamente para se comprovar.

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