Opinião
Universidades do crime
Nos últimos 20 anos, o Brasil foi um dos quatro países que mais viram subir suas populações carcerárias. Nos seis primeiros meses de 2012, o número de presos no País cresceu sob a impressionante taxa de 1% por mês, o que perfaz uma subida anual muito maior que o pulinho do PIB. O Ministério da Justiça aponta que ?o número de presos em penitenciárias e delegacias brasileiras subiu de 514.582 em dezembro de 2011 para 549.577 em julho deste ano?. Como a construção de novas celas cresceu pouco este ano, a primeira constatação é o inchamento dos presídios. Estudos da BBC sobre esse tema indicam que ?nas últimas duas décadas o ritmo de crescimento da população carcerária brasileira só foi superado pelo do Cambodja (cujo número de presos passou de 1.981 em 1994 para 15.404 em 2011, um aumento de 678% em 17 anos) e está em nível ligeiramente inferior ao de El Salvador (de 5.348 presos em 1992 para 25.949 em 2011, aumento de 385% em 19 anos)?. No ranking dos países com mais viventes dentre as grades, o Brasil ocupa a 4ª posição com 514.582 presos. No alto do pódio estão os EUA (2.266.832), seguido por China (1.640.000) e Rússia (708.300). Depois de nós, seguem, em ordem decrescente, Índia, Irã, Tailândia, México, África do Sul e Ucrânia. Números surpreendentes, pois é difícil entender como os Estados Unidos têm quase 600 mil presos a mais que a China, considerando-se as populações dos dois gigantes, afinal são 1.344.130.000 de chineses contra 311.591.917 americanos (em dados de 2011). Em termos de presos por habitantes, temos (em 2011) 730/100 mil nos Estados Unidos contra 121/100 mil na China; 495/100 mil na Rússia, 288/100 mil no Brasil, 30/100 mil na Índia... São dados inquietadores a considerar a alta taxa brasileira, a indiscutível precariedade dos presídios brasileiros e a total ausência de políticas de reeducação. Afinal, é pública e notória a deformação das penitenciárias em universidades do crime, além das celas servirem como escritórios seguros e para chefes do crime organizado. Em resumo, temos um monstro no quintal.