Opinião
QUEM FURTA POUCO � LADR�O, QUEM FURTA MUITO � BAR�O
Fim de jogo. Terminado o histórico julgamento do mensalão, restaram as lamúrias dos condenados, amigos e aliados; a vibração dos que torciam por um resultado que não acreditavam e que, afinal, se consolidou; a ingenuidade daqueles que acham que o Brasil finalmente mudou; o discurso vazio dos que afirmam que o julgamento foi uma farsa política e que o mensalão não existia; a constatação de que Lula deixou de ser gente ainda em vida e virou um mito inatacável; a eterna defesa torta de pôr a culpa na chamada grande imprensa; a necessidade de se mudar a forma de composição e o tempo de permanência dos ministros do STF e a certeza de que para o bem ou para o mal, nada mais será como dantes. Assistimos de tudo: de juiz falar em ?gosto de jiló? apenas porque cumpriu o seu trabalho, a outro que participou do julgamento de um réu do qual em passado recente foi advogado particular e assessor jurídico, além de sua companheira ter atuado como advogada da causa, o que, em tese, pode levá-lo a julgamento erante o Senado e sofrer um impeachment pelo desrespeito à lei. Vimos um virar herói nacional simplesmente porque fez o dever de casa diante das provas dos autos e outro que simplesmente cegou diante dessas mesmas provas, passando a ser considerado o vilão número 1 do País. Assistimos ao presidente da Câmara dos Deputados, só para nos lembrar da saudosa Ofélia, que quando abria a boca só falava besteira e vimos que juiz bate-boca à vontade, mesmo que sempre acompanhado do vossa excelência! Os donos do poder foram a julgamento e, após condenados, seus seguidores estão revoltados. Afinal, como aceitar uma coisa dessas se os juízes foram nomeados em sua maioria por eles mesmos? Como aceitar que uma Corte, cuja tradição parecia ser a da absolvição contínua, mude o seu rumo? Como aceitar que o respeito às decisões da mais alta Corte de Justiça do País, certas ou não, devem ser acatadas, pois isso faz parte da democracia? Como aceitar tudo isso sem ver, como sempre, um jogo político, uma teoria da conspiração? Como aceitar essa infâmia sem atacar a imprensa, os poderosos e sabe-se mais lá quem? Esquecem que hoje são eles os poderosos e desconhecem a lição de Platão de que o juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis. Pois é... Não se aplicou o famoso ditado popular do ?quem furta pouco é ladrão, quem furta muito é barão?. Ainda bem!