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Opinião

ADEUS AO COMODORO

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A assunção à direção administrativa do Serveal, em 1983, me deu a oportunidade de conhecer o seu presidente, o bel. Enio Barbosa Lima. Foi neste período que demos início à reforma do Balneário do Broma. Foi aí, também, que passei a integrar a família Motonáutica. A dedicação e empenho a todos os desafios que Enio abraçava era sua marca registrada. E o amor que tinha por tudo que fazia sempre foi contagiante, impulsionando os que o cercavam a um desempenho de funções mais dedicado. Mas nada era tão evidente e impetuoso quanto a relação afetiva que Enio nutria para com o clube que dirigiu por mais de 20 anos: o Motonáutica Lagoa Clube. O Motonáutica passou a ser uma verdadeira obsessão na vida de Enio e se confundia com sua própria vida. As tantas lutas e desgastantes negociações com a Braskem, travadas a ?unhas e dentes? para obter o melhor para a família Motonáutica, arrebataram a admiração de todos, até dos que poderiam ser considerados adversários. Estão vivas as suas palavras: ?este não será o melhor clube de Alagoas; ele será simplesmente o Clube Náutico de Alagoas?. Apesar do ar austero que aparentava ocasionalmente, na intimidade se revelava uma pessoa de extrema sensibilidade e gratidão. Enio não media esforços para identificar as necessidades dos que o cercavam procurando supri-las da melhor maneira possível. Daí ter se acercado de inúmeros ?filhos? por onde passou, os quais lhe são eternamente gratos pelo tratamento que a eles dispensou. O Novo Motonáutica era seu sonho, talvez o maior, e ao mesmo tempo a grande preocupação de como permitir-lhe vida após seu nascimento. Concluída sua obra, ele nos deixa. Nos deixa no plano físico cumpridos 76 anos, mesmo na certeza de que continuará presente em nossas lembranças e em nossos corações. Parece que ele, junto ao Pai, chegou à conclusão que sua missão terminara, afinal, o Novo Motonáutica estava pronto. Como retribuir pelo legado que o Enio nos deixou? Não me ocorre nada que possa realmente exprimir a grandiosidade de sua vida e obra. Mas, imprimir uma marca indelével suficiente para deixar para a posteridade a lembrança daquele que foi o mais dedicado membro desta sociedade náutica não é nada mais que uma obrigação dos que aqui ficamos. Não deixemos, pois, que se perca no tempo o exemplo de homem público, de amigo, companheiro, de dirigente, de esposo e de pai. Enio, será muito triste viver longe de você, nesta ausência forçada em circunstâncias adversas, alheias à nossa vontade. Mas seu legado é forte, verdadeiro e sobrevive.

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