Opinião
MACEI�: GESTORES NOVOS, PROBLEMAS VELHOS
Reconheça-se, o réveillon na orla, esse ano em Maceió, superou as expectativas: melhor distribuição dos fogos de artifício, contemplando a Pajuçara, onde existe considerável concentração de hotéis, de turistas e de moradores e música adequada no Alagoinha. A cidade, embora cheia de turistas, retorna à sua vida normal para grande parte de seus habitantes. Ocorrem as posses do novo prefeito, o jovem Rui Palmeira e também renova-se o indispensável Ministério Público, com a assunção do dr. Sérgio Jucá. Mas os desafios são imensos. E, mesmo reconhecendo que os problemas da periferia são maiores, voltamos os olhos para nossa orla, mesmo porque é lá, prioritariamente, onde se concentram as opções de lazer para a maioria da população e, a cada dia, maior fonte de subsistência para tanta gente; como suporte maior para o turismo, uma das poucas opções de desenvolvimento locais. Jean Cocteau, quando andava pelas ruas de Paris, afirmava que para se conhecer uma cidade era necessário viver nela três dias ou trinta anos. Ao final de trinta anos, se verificava que o julgamento após os três era melhor. Daí, os turistas de três dias, poderão sair daqui satisfeitos, ou dependendo de onde se hospedem, revoltados. Caso se alojem em algum hotel da orla e queiram dormir mais um pouco (um dos privilégios das férias!), poderão ser retirados bruscamente das camas, ao alvorecer, por um bando de bêbados que, com uma caixa de som imensa, em um desgovernado carro, estremecem a região. Acordados, chateados, mas sem querer desperdiçar um dos poucos dias disponíveis para as esperadas férias, porão um par de tênis para dar uma caminhada na tão bela quanto desprotegida orla. Correrão severo risco de ser atropelados em frente ao hotel pelos biriteiros, que, após extensa noitada de farra na boate da Sílvio Viana, bagunçam a região, imunes à Lei Seca. Ultrapassada essa trincheira, não poderão caminhar sossegadamente pela majestosa orla: ciclistas alucinados, como bólidos, mesmo tendo um pista específica, usarão a faixa de pedestres, em contínua ameaça a sua integridade física e mental. Ítalo Calvino, em A Cidade Invisível, afirmava que as cidades, como os sonhos, são feitas de desejos e de medos. Os medos são muitos, os desejos e as esperanças, resumem-se em que os novos gestores possam dar a Maceió, considerada a capital mais violenta do Brasil, esse ar mínimo de civilidade que ela tanto precisa.