loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Eterna surpresa ante o previs�vel

Ouvir
Compartilhar

Enquanto chuvas torrenciais castigam novamente a Baixada Fluminense, a seca flagela mais uma vez o Nordeste e boa parte do Brasil. Alguma novidade nisto? Não. Esses fenômenos naturais brasileiros são escandalosamente previsíveis, quase como as tropicais monções asiáticas. Difíceis de prever são as tormentas, tufões, furacões e tsunamis que surgem como do nada em vários pontos do Hemisfério Norte. Cá abaixo do Equador, sem dúvida a natureza faz das suas, mas com regularidade quase britânica, possibilitando o planejamento para uma convivência pacífica com tais intempéries. Mas isto não acontece. No próximo ano, as chuvas cairão pesadas, assim como a seca retornará, e nada terá sido feito para enfrentar essas recorrentes manifestações climáticas brasileiras. Fica a impressão que a denominação ?Defesa Civil? trai uma concepção passiva, onde a submissão expressa uma atitude de conformismo, preservando ad aeternum, uma perplexidade, uma tremenda surpresa frente a fenômenos que os habitantes do Brasil acompanham, e registram, há cinco séculos. São quinhentos e onze anos de surpresa, uma vez que é forçoso reconhecer que apenas a partir do primeiro ou segundo ano de presença na terra até então desconhecida é que a repetição dos fenômenos naturais passa a conformar um mínimo de conhecimento sobre as características climáticas de onde se vive. Do ponto de vista governamental, também não há surpresa, pelo menos desde que Pedro II, chocado, declarou que ?empenharia até as joias da Coroa, mas não permitiria que os sertanejos passassem fome?. Essa bombástica declaração foi lacrimejada sobre os efeitos da grande seca de 1877. O monarca não só não vendeu nem uma miçanga sequer, nem pluma ou paetê de seus adereços reinóis, como as secas seguiram seu caminho natural e anual, botando quente nos viventes que se aventuraram pelos Sertões nordestinos. Restará esperar pela dor repetida no ano que vem, ou neste ano será implementada alguma iniciativa realmente nova em termos de prevenção?

Relacionadas