Opinião
DESABAFO (III)
Alagoas, Estado federativo desmembrado de Pernambuco há 195 anos, teve sempre sua economia baseada na cana-de-açúcar. Os industriais do açúcar de hoje foram os senhores de engenho de séculos passados. A cultura sucroalcooleira não permite, e sozinha há muito tempo, uma sociedade com melhores perspectivas. A industrialização, embora importante, é incipiente para o tamanho de nossa população urbana. No entanto, nossa considerada situação ?periférica? pode ser nosso grande diferencial positivo. Investir na capacitação técnica de profissionais da saúde, junto às universidades locais, e transformar nosso Estado em referência nacional nesta área seria fundamental para gerar sinergia com implantação de mais hotéis, clínicas de terapia ocupacionais, bons hospitais, preservação e recuperação de áreas para esportes junto à natureza como pesca, campos de golfe, parques etc. Uma infraestrutura básica e setor de serviços de qualidade são indispensáveis. Não faz sentido fazer o mesmo que Pernambuco, Bahia e Sergipe. Isto é falta de visão e originalidade. Estamos atrasados já há um bom tempo. Teríamos que fazer diferente dos Estados vizinhos, e muito mais, com menos amadorismo e mais determinação para superar o fosso ?construído? nos últimos anos. Culpa de todos, mas principalmente de uma classe política, em geral, desinteressada no bem de Alagoas e de uma elite econômica, com raras e honrosas exceções, descrente em nossos potenciais naturais e humanos. Preocupadas apenas com o imediatismo e muito pessoais no trato da coisa publica e mesmo privada. Propaganda cansa e desestimula a esperança de mudanças coletivas tão necessárias numa democracia. O marketing político não substitui homens e mulheres com competência para realizar reais programas de governo. Nada substitui cidadãos com resiliência e força de vontade e tendo líderes com condutas exemplares. Sem isso, só ?bolhas?! Vivemos numa fase que demanda melhores reflexões... Quanta falta faz uma população mais instruída e autônoma para melhor discernir o que é mais adequado não somente para si, mas para filhos e netos.... Será que não se pode planejar um melhor futuro para as próximas gerações ou estamos condenados pelo populismo e omissão reinantes? O consumismo é a ?válvula de escape? até quando? Será que já desperdiçamos, no Brasil, mais uma chance?