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Seca e emerg�ncia

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O governo do Estado acaba de homologar os decretos de situação de emergência elaborados pelas prefeituras de dez municípios do Sertão mais afetados até agora com a volta da seca. A providência necessária para o pedido de ajuda ao governo federal que, às vésperas do segundo turno das eleições, liberou R$ 74,1 milhões para mais de 500 municípios dos cinco primeiros Estados nordestinos e de parte de Minas Gerais, atingidos pelo novo período de longas estiagens. O dinheiro será usado no Bolsa-Renda que agora paga menos (R$ 30) às famílias vítimas da seca. E o governo acha que ele será suficiente para financiar o programa enquanto perdurarem os efeitos da falta de chuvas. Só o Piauí tinha, até o começo deste mês, 194 municípios com as condições de sobrevivência da maior parte de sua população agravadas pelo mais que secular e crônico problema da região. Que tende a piorar, pois a previsão feita, há poucos dias, pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais é que os próximos três meses, devido ao fenômeno El Niño, chova dentro da média da região, que já é baixa, ou abaixo da média. Novamente Alagoas e outros Estados que têm considerável quantidade de habitantes vivendo no semi-árido passam a depender das medidas paliativas da União com as irregularidades das chuvas, para minimizarem os efeitos de um problema de vários séculos. Mais uma vez milhões de pessoas espalhadas pelo semi-árido têm suas angústias acentuadas pelo flagelo, quando está mais do que provado que somos a região seca onde mais chove no mundo. Tudo por causa das políticas erradas adotadas ao longo de décadas, que alimentam a chamada indústria da seca, mas não evitam o avanço da desertificação. Nem promovem os meios necessários para as comunidades mais pobres, principalmente no meio rural, sobreviver sem maiores traumas nas épocas mais difíceis como esta, de aumento da escassez de água potável, de alimentos e de emprego.

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