Opinião
Energizando o bom debate
Deve ser considerado como muito bem-vindo o debate, motivado pelo suposto risco de apagão, sobre o modelo energético brasileiro. Sem dúvida que ainda está acesa na nossa memória a dramática realidade vivida sob as trevas dos apagões no governo FHC. O breu tucano despontou em duas ocasiões, 1º de julho de 2001 e 27 de setembro de 2002, e, segundo as contas do ex-ministro Delfim Netto, custou a cada brasileiro R$ 320. De acordo com uma auditoria camarada realizada pelo Tribunal de Contas da União, publicada em 15 de julho de 2009, o apagão causou ao Tesouro Nacional um prejuízo de R$ 45,2 bilhões. Não há como não esquecer. Assim como também é de se lembrar que a presidente Dilma construiu parte de sua fama como administradora pública quando esteve à frente do setor elétrico nacional durante o governo de Lula. A comparação é inevitável, e, considerando que o PT copiou, mesmo em menor escala, invenções do PSDB como o famigerado ?mensalão?, é plenamente justificável o temor nacional frente à hipótese de retorno da escuridão de FHC. Garante o governo Dilma que tal qual não acontecerá e que as ausências de eletricidade registradas nos últimos tempos seriam fatos isolados, produto de falha humana. Assegura o ministro Edison Lobão que, além de estar afastado o espectro ?apagante?, está mantido o desconto de 20% nas contas residenciais a partir do próximo mês. Torce a Nação para que a avaliação (de que não existe risco de racionamento) e a promessa (de contas mais baratas) se realizem. O fato é que o Brasil precisa rediscutir e reformatar sua matriz energética. Para que o País possa manter índices consideráveis de crescimento será necessário muito mais energia e muito menos risco de redução na quantidade produzida. E precisam ser exorcizados fantasmas anticientíficos e preconceituosos que assustam os menos esclarecidos sobre obras essenciais como as hidrelétricas na Região Amazônica e sobre a energia nuclear. Oxalá o medo do apagão, ao ser dissipado, não venha a apagar essa boa polêmica sobre o modelo energético nacional.