Opinião
A FAM�LIA MOSAICO
Antigamente, era muito comum uma família ser composta de pais, filhos, avós, tios e primos morando todos juntos. Com o passar do tempo, as famílias foram sendo reduzidas a pais e filhos. Infelizmente, as crises de relacionamentos tiveram o poder de diminuir ainda mais essa configuração, aumentando o número de famílias monoparentais, que são compostas por um ou vários filhos vivendo só com a mãe ou só com o pai. Uma mulher divorciada não tinha o direito de refazer sua vida sentimental, ficando com a incumbência de criar os filhos e se resguardar de qualquer possibilidade de outro relacionamento. Hoje, já não é mais nenhuma novidade vermos as famílias sendo recompostas, formando as chamadas ?famílias mosaico?. O mosaico é um conjunto de elementos justapostos e por isso simboliza bem a união de filhos, padrastos, madrastas, meio-irmãos, irmãos postiços, verdadeiros e falsos avós, tios e primos. Numa família formada originalmente pelo pai, a mãe e os filhos, observamos os conflitos naturais de valores e ordens, afinal, pai e mãe vieram de famílias culturalmente diferentes. Nesse ambiente, os membros têm a oportunidade de exercitar a paciência, o respeito, a capacidade de compreender as necessidades do outro e resolver conflitos com bom senso e equilíbrio. Infelizmente, as famílias estão desperdiçando essa oportunidade, deixando prevalecer a incompreensão, o desrespeito, a falta de paciência, a intolerância e até agressões físicas. Quando uma família se recompõe, entram em cena vários elementos das relações anteriores. Daí a frase: ?os meus, os seus, os nossos?. E nessa reconstrução não se pode perder de vista duas questões: a necessidade de se respeitar o espaço de cada um (dos que chegaram e dos que já estavam) e a necessidade de se respeitar a família anterior de ambos os cônjuges. É importante que as crianças percebam ainda que, apesar dos pais terem refeito suas vidas, a sua ligação com o pai e com a mãe não foi prejudicada. Todos os membros envolvidos nessa reconstrução familiar devem levar em conta as relações afetivas que permanecem e as que foram iniciadas. Isso quer dizer que os filhos e o(a) ex-companheiro(a) devem respeitar o(a) novo(a) companheiro(a) da(o) mãe(pai) e os filhos postiços e/ou novos filhos dessa nova relação, assim como os novos companheiros também devem respeitar os filhos e os(as) ex-companheiros(as). Os pais, ao se separarem, precisam se conscientizar da necessidade de se finalizar de fato a relação, aparando qualquer aresta que tenha ficado, de forma equilibrada e madura. Como as crianças aprendem observando, um comportamento equilibrado e maduro por parte dos pais servirá de exemplo para que seus filhos cresçam procurando manter relações saudáveis e equilibradas.