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Feira n�o quer dizer sujeira

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Sem falsa modéstia, considerando-se a qualidade e a diversidade dos produtos oferecidos, o Mercado Público de Maceió é um dos mais importantes em todo o Brasil. Por outro lado, sem tentar tapar o sol com peneira, do ponto de vista da higiene é um dos mais imundos do País, quiçá do mundo. Retornando aos pontos positivos, é de se aplaudir a variedade dos produtos lá comercializados. Carnes de todos os tipos, aves, peixes, moluscos, crustáceos... Numa profusão de cores, texturas, aromas como em poucos lugares do globo. Porém, em torno dessa riqueza, espraia-se o lodo da desvalorização para com os bens intangíveis. A imundície teimosa enfrenta e finda por suplantar todas as tentativas de assear o tradicional mercado. E noutras cidades de Alagoas, a realidade do mundo das tarimbas não é mais limpa. Com razão, reclamam comerciantes e usuários. O cenário que emerge na histórica área de feira da Levada é de uma abjeta imundice. Como fazer para enfrentar e vencer tamanha sujidade? Verdade é que a principal responsabilidade é do poder público. Mas essa culpabilidade é mais grave pela falta de eficiência em assegurar a educação sanitária mínima ao conjunto dos feirantes que pela ineficiência em garantir em funcionamento a infraestrutura para seu asseio cotidiano. Precisa-se de projetos de revitalização. Mas é também preciso um acompanhamento permanente, diuturno, capaz de garantir que a atividade feirante não se realize de forma tão suja. Não são poucos os peixeiros que se especializaram em decapitar os pescados de forma que sangue e escamas são atirados como projéteis num raio de vários metros; poder-se-ia citar também a incrível capacidade de parte dos comerciantes em espalharem os resíduos, basta olhar ao longo de meios-fios, margens da via férrea, em torno das barracas... Necessita-se tanto ou mais de uma ação educativa acompanhada de uma fiscalização rigorosa que de projetos revitalizadores. Ou melhor, a revitalização deve começar pela reeducação, pela observação de normas higiênicas como base, princípio, para a atividade feirante.

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