Opinião
UMA LUZ APARECEU
?Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos?, são palavras do profeta Isaías (cf. 60, 2a) dirigidas ao povo de seu tempo, e tão atuais no tempo de hoje. De fato, o mundo atual, embora tenha logrado admiráveis progressos, enfrenta trevas, com densas nuvens escuras: dependência química, sexualidade banalizada, relativismo moral e ético, corrupção crônica. Todas essas trevas têm como origem a falsa crença da humanidade de que já alcançou a maturidade. A partir do momento em que se tornou a medida de todas as coisas, de um modo particular, desde o iluminismo, a humanidade sacralizou o uso da razão. Esta foi eleita o critério único do pensar e do agir. Mas, aqui, surge uma questão: uma razão fechada em si mesma, fechada ao transcendente, pode ser o critério único? A razão humana também não está encerrada sob o jugo do egoísmo, da autossuficiência? Basta um olhar sobre o recente século 20, e o que se verá é que, juntamente com o apogeu da razão, a humanidade foi capaz de produzir duas grandes guerras, o nazismo e outras tantas mazelas, cujas feridas ainda se sentem nos dias de hoje. No entanto, voltando ao profeta Isaías: ?levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz...? (cf. 60,1a). Apareceu, neste mundo uma luz para iluminar a sabedoria humana, já cansada de si mesma. A palavra divina, que dá sentido a todo discurso humano, manifestou-se na terra. Para os cristãos, esta luz é o Cristo Jesus. Nele, a razão humana abre-se à transcendência. Nele, o homem consegue sair de si mesmo, da sua sabedoria incapaz de construir uma vida mais autêntica, mais humana. Essa luz, Cristo Jesus, não é opcional. É para todos os povos, para todo o homem nascido neste mundo. ?Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida? (Jo 8,2). Segui-lo é não mais caminhar nas sendas destruidoras da falta de sentido para a vida. O evangelho de são Mateus (cf. 2,1-12) apresenta aqueles sábios do Oriente, buscando uma luz para iluminar o seu saber. E, por intuição divina, eles descobrem no Menino nascido em Belém a sabedoria divina capaz de levar à plenitude a sua sabedoria humana. Estes sábios são símbolo de toda a humanidade, sedenta da luz divina na sua luz humana. Sede saciada somente na abertura àquela luz que apareceu em Belém.