Opinião
DESAFIOS PARA A EDUCA��O SUPERIOR
O Brasil tem o desafio de elevar a qualidade da sua educação correndo contra o tempo. Conhecimento é fator decisivo para desenvolvimento social e econômico e a afirmação soberana das nações. Quantos excelentes profissionais o Brasil deixa de ter porque não lhes dá acesso ao ensino? O lamento do então presidente Lula na posse do Conselho Nacional de Educação, em 2004, continua atual e impõe políticas e estratégias inovadoras e ousadas que rompam as amarras que impedem a evolução e a qualificação de níveis gerais de escolaridade no Brasil. São perversos os indicadores e muito baixos os níveis de competitividade. Se temos 12,5% dos trabalhadores com formação superior, na Coreia do Sul e no Japão os percentuais vão a 40% e a 45%. Em cada grupo de 100 mil habitantes, temos 6 engenheiros; os EUA têm 24; o Japão, 25. Com imensos desafios em saneamento básico, temos 1,9 médico por mil habitantes; a Alemanha, referência em prevenção de saúde, tem 3,6. Impossível que evoluam os indicadores do Ensino Superior no Brasil sem a mudança do foco do Estado, responsabilidade intransferível com a educação de nível médio. Temos apenas 47% de nossos trabalhadores com Ensino Médio completo; os EUA, 90%; o Japão, 96%. Se menos de 50% dos brasileiros entre 15 a 17 anos estão cursando o Ensino Médio é porque muitos não saíram do Fundamental ou abandonaram os estudos, envolveram-se com a criminalidade, as meninas, com a gravidez precoce. Mais de 60% dos jovens que terminam o Ensino Médio não ingressam na faculdade. O analfabetismo funcional é assustador: 1/3 dos brasileiros de 15 a 64 anos apenas consegue entender mensagens simples ou realizar operações matemáticas elementares. Amplia-se a sociedade dos ?nem nem?: 19% dos jovens entre 18 e 25 não estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. A escola não é atraente, não prepara para a vida nem para o trabalho qualificado. Está desconectada da vida real, limitada às salas de aulas, professores mal remunerados, sem apoio tecnológico. A escola ?tranca? o século 21 do lado de fora. O Ensino Médio tem que ser uma obsessão nacional, das famílias e das políticas públicas. Se o Estado não realizar avanços extraordinários na oferta e na qualificação, como avançar na formação superior? O PNE fracassou ao prever que em 2007 o Brasil já teria 30% de seus jovens entre 18 e 24 anos em cursos superiores. Em 2012, o País tem cerca de 7 milhões de matrículas no Ensino Superior, o que equivale a apenas cerca de 3,5 % da população. Não podemos continuar a jogar o futuro para o futuro. No passado, o Brasil sempre foi o país do futuro. Por que continuamos incapazes de ser o que temos que ser? O que nos impede de termos 10 milhões de matrículas em Ensino Superior de excelência em 2015?