Opinião
Refletindo um pouco...
Viajar é sempre bom e dessa vez fui conhecer um pouco mais de Portugal, uma vez que em minhas idas anteriores sempre passei muito rapidamente por lá. De início, alerto que não, não vou me meter na seara alheia, não vou falar dos encantos e belezas daquela terra, missão realizada aqui com muita competência pela Dona Lisete Lyra. A recente greve dos caminhoneiros fez mal ao Brasil, como país piorando nossa condição econômica que já era ruim, fez mal a você que me lê neste momento e a mim, desorganizando a economia e permitindo aumento nos preços de praticamente tudo, enfim, fez mal a todos os brasileiros. Porém, ela serviu para demonstrar mais uma vez o quanto somos dependentes do transporte rodoviário e da nossa estupidez em sucatearmos as nossas ferrovias. Em Portugal, além de excelentes rodovias, duplicadas e sem buracos, as ferrovias estão em pleno funcionamento e me permitiram ir de Lisboa ao Porto de comboio, como chamam os trens de lá, em um vagão com serviço de bordo, conforto e velocidade média de 200 km por hora. Me perguntei pela enésima vez a razão pela qual insistimos no atraso, no descaso, na acomodação? A resposta é que continuamos a deixar dirigir nossas vidas governantes e administradores incompetentes, ignorantes e muitos deles corruptos. Será que somos uma nação de masoquistas? Mudando de assunto, me vem à mente a decisão a ser tomada pelo STF sobre o aborto. Sou contra qualquer decisão judicial nesse sentido, pois já existe lei, muito clara por sinal, que rege a matéria e não cabe ao Judiciário a decisão sobre esse assunto, mas, sim, ao Congresso. De logo, me pergunto que raciocínio egoístico leva alguém a imaginar que tal decisão pode ser tomada em nome de uma pretensa posse de seu corpo, não fosse ele uma dádiva da vida. Imaginar que somos descartáveis apenas e tão somente porque alguém assim o deseja é deliberadamente ignorar que somos seres conscientes, que amamos, sofremos, sorrimos e choramos e tantas quantas outras emoções. Que somos capazes de construir, e, sim, também de destruir, mas acima de tudo que sempre seguimos em frente. Drummond afirmou que ninguém é igual a ninguém e que todo o ser humano é um estranho ímpar, e isso é a mais pura verdade. Ademais, se recordarmos que hoje possuímos capacidade científica que nos permite escolher entre vários métodos contraceptivos, me pergunto qual a razão de descartar a chance de futuro de alguém que, repito, poderia sorrir, chorar, amar, ser amado, lutar, criar e tantas outras mais emoções e sentimentos... E não podemos nos esquecer, como bem disse Marion C. Garret, que ?O amor de mãe é o combustível que capacita um ser humano comum a fazer o impossível?.