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Opinião

A FAM�LIA E AS VOCA��ES

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Continuo neste artigo a reflexão iniciada no número passado sobre a família, abordando agora nos limites possíveis seu papel de sementeira das vocações. A família como primeira e fundamental estrutura da chamada ?ecologia humana?, como a chamou a conferência dos bispos em Puebla (nº 183), ocupa lugar privilegiado no desabrochar das vocações para a Igreja, além da matrimonial, preparando os filhos para um santo e fiel matrimônio pela palavra e pelo exemplo, mas de modo particular as vocações de especial consagração ao Senhor. A família cristã deve se sentir, hoje, responsável em dar vocações religiosas e sacerdotais à Igreja. Dizia Dom João Resende Costa, referindo-se ao surgir das vocações, que ?as rosas só desabrocham nos jardins, não nos pantanais?. Queria indicar o sábio e santo arcebispo salesiano de Belo Horizonte que, para o surgimento das vocações sacerdotais e religiosas, é preciso que a família cultive os valores morais, que viva uma intensa vida de fé cristã, que seja um lar de amor e de paz. O exemplo dos pais será sempre decisivo no apreço e na estima pelas vocações de especial consagração por parte dos filhos. Dom Bosco dizia que a maior honra que Deus pode conceder a uma família é dar-lhe um filho sacerdote. E acrescentava: ?Quando um filho deixa sua casa para ser padre, Jesus Cristo toma seu lugar na família?. Se os pais pensarem assim e a vocação sacerdotal for devidamente valorizada em nossas famílias cristãs, surgirão naturalmente vocações no seio da família, que hoje se revela estéril em dar à Igreja os ?padres de que ela precisa?. O Filho de Deus, vindo ao mundo, escolheu uma família de condição modesta, uma família de trabalhadores, para nela nascer e nela viver quase toda a sua vida. Foi a Sagrada Família de Nazaré: José, Maria e Jesus. Jesus, o maior dos três, era o filho obediente. Diz o evangelista Lucas (capítulo 2, versículo 51): ?Desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso?. José, o esposo castíssimo de Maria e guarda fiel de Jesus, sabia que era o menor dos três mas, ao mesmo tempo, estava consciente de seu dever e responsabilidade como protetor da pureza ilibada da Virgem Mãe e custódio do filho de Deus feito homem. Ali, Maria era a serva fiel, a mãe solícita, a esposa dedicada: ?Filho, por que fizeste isso conosco? Eis que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos? (Lucas, 2, 48). Na sagrada família de Nazaré, ideal sublime da família cristã, brilhavam a serenidade, a harmonia, o entendimento perfeito, a mútua compreensão absoluta, a busca incessante da felicidade do outro, com a total abnegação e doação de si mesmo no mais profundo e divino amor.

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