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Fantasmas do ponto sem n�

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Causou certa polêmica em São Paulo a ?descoberta? de uma notícia sobre uma nova norma interna da Assembleia Legislativa paulista determinando uma complacente flexibilidade na coleta do ?ponto? dos servidores daquele poder. Segundo a mídia bandeirante, essa nova determinação, na prática, dispensa a cobrança da assinatura do ponto diário, o que proporciona a institucionalização da falta pura e simples, mascarada pela amplíssima possibilidade da rubrica de cada funcionário ser rabiscada, aos montes, num único dia. Essa mágica foi tornada possível com a supressão de uma palavra: diariamente. Esta é a constatação da ?minúscula? alteração do artigo que normatiza a comprovação do servidor em seu posto de trabalho. A nova redação diz: ?a frequência do servidor será registrada por assinatura em livro próprio, mantido na unidade de sua lotação?, enquanto o texto anterior dizia que ?a frequência do servidor será registrada diariamente por assinatura em livro próprio, mantido na unidade de sua lotação?. Para subsidiar a suspeita de burla, as reportagens listaram uma chusma de ocorrências, ainda em pleno funcionamento da exigência de assinatura ?diária? do ponto, nas quais funcionários eram flagrados morando a centenas de quilômetros da sede do legislativo estadual paulista. Evidentemente, a tendência é a multiplicação desses casos de fantasmagorias no funcionalismo de apoio parlamentar. E, convenhamos, trata-se de um problema brasileiro. Os mistérios em torno do número de servidores, das funções, dos proventos, da comprovação do serviço prestado, dentre outras questões, são recorrentes em todas as estruturas parlamentares brasileiras, em todos os níveis. Aqui, por exemplo, alguém sabe mesmo quantas pessoas estão lotadas (na condição de servidores, cargos comissionados, serviços prestados etc.) na Casa de Tavares Bastos? Alguém pode responder, na bucha, quantos recebem salários pagos pela Assembleia Legislativa de Alagoas? E mais: se fosse cobrada rigidamente a assinatura de ponto na Assembleia Legislativa Estadual, a fila formada alcançaria quantos quilômetros?

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