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Obama e o freio ao armamentismo

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Dois temas aparentemente antagônicos dividem o noticiário sobre a posse de Barack Obama para seu segundo mandato na Casa Branca. Um dos focos aponta para detalhes artísticos e cerimoniais da festa desta segunda-feira; outro foca num dos mais antigos e sensíveis debates americanos: a possibilidade de restrição do porte de armas para os cidadãos ianques. No primeiro item, é só felicidade e badalação. As divergências de opinião são alegres, efusivas, e já circula uma cópia da lista de 16 faixas musicais selecionadas onde estão inclusas estrelas como Beyoncé e a banda Fun, além da canção Ordinary People, de John Legend, e o elenco da série Glee interpretando Lady Gaga. Noutro item, é só sisudez, caras feias, ameaças e pesadas pressões políticas pelos dois times envolvidos. De um lado, fortalecido com a reeleição e disposto a corrigir o que foram considerados erros de postura no primeiro mandato, quando a oposição deitou e rolou sobre uma suposta prática vacilante e indecisa do presidente, Obama investe contra a excessiva liberalidade americana na compra, na posse e no porte de armas. Doutro lado, urra o fundamentalismo bélico. Pela primeira vez na história americana, um presidente resolve bancar essa briga. Na semana passada, Barack Obama despachou para o Congresso um atrevido ?pacote de medidas? visando ampliar o controle de armas nos Estados Unidos, pedindo destacadamente a ?proibição da venda de armas de combate e de pentes com grande capacidade de munição? e determinando um ?maior rigor na verificação de antecedentes de compradores de armas?. Para os brasileiros, isso pode parecer café pequeno, pois, por aqui, o impedimento legal de compra, posse e porte de arma é tão mais radical quanto inútil para coibir a avassaladora onda de assassinatos produzida, principalmente, pela desenvoltura do crime organizado. Mas para os americanos é uma heresia colocar em debate o direito de comprar e portar armas de todo o calibre. Nem mesmo a recorrência dos assassinatos em massa sensibiliza o poderoso lobby pró-armas. Obama, corajosamente, ousa e aponta na direção certa. Mas o alvo é muito bem armado.

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