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Nº 5712
Opinião

Reflex�es e folclore

RANILSON FRANÇA DE SOUZA * A cidade de Natal recebeu, no período de 28 a 31 de agosto passado, folcloristas do Brasil inteiro, para discutir as novas tendências do Folclore Brasileiro, tendo à frente Roberto Benjamim e o sempre atuante Bráulio do Nasci

Por | Edição do dia 01/11/2002 - Matéria atualizada em 01/11/2002 às 00h00

RANILSON FRANÇA DE SOUZA * A cidade de Natal recebeu, no período de 28 a 31 de agosto passado, folcloristas do Brasil inteiro, para discutir as novas tendências do Folclore Brasileiro, tendo à frente Roberto Benjamim e o sempre atuante Bráulio do Nascimento. O conclave, realizado na Capitania das Artes, no centro de Natal, reuniu diversos temas, dentre os quais: “Sílvio Romero e os Primórdios da Pesquisa Folclórica”, por Luís Antônio Barreto; “Folclore no Terceiro Milênio”, por Roberto Benjamim; “Folclore e Educação”, por Rose Marie Reis Garcia; “Folclore e Turismo”, por Laura Della Mônica e tantos outros. Na oportunidade, foram lançados vários trabalhos e boletins sobre folclore brasileiro. O seminário serviu para se fazer uma reflexão sobre as manifestações populares do Brasil, principalmente na época da globalização em que se observa a “plastificação das nossas tradições populares”. Neste sentido é que foi abordado o tema da nova política de patrimônio cultural; inventário e registro, onde foi analisado o Decreto nº 3551, de agosto, que trata da salvaguarda da cultura tradicional e popular brasileira. O decreto acima citado institui o registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, que constituem patrimônio cultural brasileiro, cria o Programa Nacional do Patrimônio Material e dá outras providências. Este decreto fará  com que o Patrimônio Imaterial  seja registrado no Livro dois Saberes, onde serão inscritos conhecimentos e modos de fazer  enraizados no cotidiano das comunidades; no Livro de Registro  das Celebrações, onde serão inscritos rituais e festas que marcam  a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; no Livro de Registro de Formas de Expressão, onde serão inscritas manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; no Livro dos Lugares serão inscritos mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas. Para as inscrições nos livros acima referidos, tem-se por base a continuidade histórica do bem e sua relevância nacional para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira. Para a instalação do processo do registro, poderão fazer parte o Ministério da Cultura; instituições vinculadas ao Ministério da Cultura; as secretarias de Estado, de municípios e do Distrito Federal e as sociedades e associações civis, cabendo as instruções do processo ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Acreditamos que este decreto venha propiciar amparo as nossas tradições populares, uma vez que, no tempo da globalização e da espetacularização dos nossos folguedos e danças, estão ameaçadas de extinção. Na oportunidade, sob os auspícios da Comissão Nacinal de Folclore, foi lançado o Projeto da Bibliografia Nacional do Folclore, proposta por Ático Vilas Boas da Mota e Roberto Benjamin, em parceria com as comissões estaduais de Folclore. Trata-se de um levantamento de dados biográficos de folcloristas de cada Estado, juntamente com o levantamento da bibliografia sobre folclore e cultura popular, ciência do folclore e ciências afins, incluindo teoria e metodologia da ciência do folclore, dentro dos padrões e normas da ABNT. Ainda sobre o Seminário Nacional de Folclore, foi lançado o cadastro nacional de folcloristas, edição patrocinada pela Unesco – IBECC, que trata de um cadastro de docentes, em nível nacional, no campo do folclore, no qual Alagoas está inserida. (*) É FOLCLORISTA E PROFESSOR DO CESMAC

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