Opinião
Uma nova agenda
EDUARDO BOMFIM * Em 30 de setembro de 1999, iniciou-se um seminário em Maceió, promovido pela Prefeitura e a Câmara Municipal da capital com o apoio do governo do Estado. Participaram especialistas, técnicos alagoanos e de outros Estados da Federação. Fui o autor da proposição que possibilitou o evento, mas ele seria impossível de se realizar sem as contribuições de Alejandro, então secretário de Planejamento do município, o excelente economista Adelmo Mota e do ilustre professor e pensador Beroaldo Maia Gomes. Deste encontro resultou um elenco de propostas alternativas ao quadro de crise generalizada em que vive Alagoas, e em particular, Maceió. Além disso, ousei elaborar uma coletânea sintética de textos, gentilmente prefaciada pelo cientista social Sávio Almeida. Algumas conclusões foram basilares ao referido encontro. O primeiro deles foi que o modelo neoliberal implementado no País havia se esgotado, deixando um legado social e econômico trágico. Constatou-se, igualmente, que o referido modelo, oriundo da ?nova ordem mundial?, superposto às velhas, seculares e caducas estruturas que determinam o modo de organização do nosso Estado, agravaram monumentalmente os péssimos indicadores econômicos e sociais. As soluções possíveis deveriam surgir da vontade política, partindo do pressuposto que não havia outro caminho senão o de ?nadar contra a maré?. Nenhuma atitude técnica, nos marcos do estabelecido como oficial, produziria mudanças qualitativas na realidade. De tal magnitude era a adversidade, que se fazia urgente políticas emergenciais nas áreas econômica e social, priorizando a tremenda exclusão social, a fome endêmica. De lá para os dias atuais, o quadro geral agravou-se substancialmente diante de um crescimento. Quase nulo, do País. Já o governo Fernando Henrique diz que o País ?ajustou-se economicamente? e em seu socorro revela o superávit da balança comercial de 10 bilhões de dólares. Mas o País possui este saldo não porque exporta mais. Ao contrário, exatamente porque deixou de crescer e importa muito menos. O governo federal provocou, com a estagnação da economia, a maior taxa de desemprego da história do Brasil, gerando todas as seqüelas conhecidas, da fome à criminalidade em larga escala. A maioria dos Estados não terá condição de honrar seus compromissos logo no começo do próximo ano. O novo governo herda uma brutal herança, além de uma imensa pressão para manter tudo como se encontra e dele será cobrado dentro de alguns meses. A política de terra arrasada deixada para trás pelo tucanato. O povo fez a sua parte concedendo a Lula a maior votação e o maior respaldo recebidos por um presidente eleito. Urge retomar o papel de um Estado forte, indutor de políticas públicas de planejamento, voltadas prioritariamente para o crescimento da economia e distribuição da renda. Além de uma renegociação altiva e soberana dos nossos compromissos financeiros internacionais. Vários países já o fizeram, com a Rússia e a Coréia do Sul, entre outros. Querem impor ao futuro presidente e equipe uma ortodoxia sem saída. E mais, FHC deixaria o cargo elogiado como estadista e isento de responsabilidade diante do dramático legado. O que se precisa, e com urgência, é sair desta arapuca armada e implementar uma nova agenda para o Brasil. ?A esperança venceu o medo?. Trata-se, dentro em breve, de se construir escrupulosamente, rigorosamente, a própria esperança. (*) É ADVOGADO