Opinião
Brasil e EUA sob a nova gest�o Obama
Naturalmente, toda posse presidencial nos EUA, pelo menos desde a 2ª Guerra Mundial, é abertamente discutida a partir do ponto de vista das expectativas de relações para com o país do comentarista. Assim, desde ontem, a mídia tupiniquim especula o que se descortinará entre a Casa Branca e o Planalto a partir de hoje. E com sua tradicional postura de ?imprensa nacional?, os veículos do eixo Rio-São Paulo buscarão esclarecer aos demais viventes periféricos sobre o day after da posse de Barack Obama para seu segundo mandato. Na ?periferia?, não há porque temer ousar pensar e avaliar algo sobre esse tema tão real quanto importante para qualquer país do mundo. Afinal, trata-se da única superpotência no tempos contemporâneos. Para os analistas de sotaque britânico, cuja experiência não se deve olvidar, haveria novidades nessa agenda EUA-Brasil, com Washington adotando posturas mais pragmáticas e menos políticas; ou seja, seria privilegiado o foco econômico. Tem lógica, mas não se trata de novidade, pois esta tem sido a tendência americana desde o fim da Guerra Fria. A partir do momento no qual se dissipou o espectro rubro que rondou a Europa (e o mundo), a santa aliança contra Moscou deixou de requerer aos EUA exercícios de contorcionismos políticos para ampliar e conservar seus parceiros. A própria China vermelha já havia sido contemplada por novos laços (amistosos e comerciais) desde quando Nixon visitou Mao para um chazinho com torradas num fim de tarde nos idos de 1972. Existem inimizades renhidas dentre as almas latinas em relação a Washington? Sim, sem dúvida. Mas, hoje, duplo epicentro dessa malquerença assenta-se em Caracas e Havana, longe de Brasília, mesmo considerando as ?amizades de infância? entre Dilma, Castro e Chávez. Os interesses do Brasil, há mais de uma década, também são traçados pela flexibilidade do pragmatismo (onde se insere o exercício público das discordâncias em relação às posturas do parceiro maior e mais rico, pois sem isso não há jogo). Tensões na seara econômica? Isto é óbvio. Afinal, sair da crise é a meta de todos.