Opinião
ATAQUE MORTAL
As estatísticas não são mais preocupantes: são graves. É epidêmico o número de motos circulando nas cidades brasileiras, uma ameaça constante para todos: motoqueiros, motoristas, pedestres e vai além. Do ronco alucinado de uma moto, de repente pode estar surgindo um matador profissional escondendo o rosto dentro do capacete, pronto para disparar mortalmente sua arma contra a próxima vítima. As motos também se transformaram em veículo fácil e ágil para a prática do crime. No trânsito, avançam em bloco, rápidos, imprudentes rompem quaisquer obstáculos que encontram pela frente. Fazem zigue-zague, tocam nos automóveis parados nos semáforos, arranham, afrontam, desafiam. Infelizmente, a grande maioria que dirige esse transporte não está preparada para enfrentar o dia a dia no trânsito. Falta-lhes teoria, técnica, equipamentos, responsabilidade, educação. Não respeitam as faixas de segurança, ultrapassam perigosamente, dirigem usando sandália de borracha solta nos pés. Lideram a competição dos acidentes de trânsito, morrendo e incapacitando precocemente milhares de pessoas, na maioria jovem. A falta de rigor na concessão de carteiras de habilitação é a grande responsável por tantas tragédias diariamente. Moto na rua, perigo em dobro. Segundo dados do Ministério da Saúde, o custo de internações hospitalares de pessoas envolvidas em acidentes de trânsito com motos aumentou 113% entre 2008 e 2011. Os gastos subiram de R$ 45 milhões para R$ 96 milhões. O número de internações pagas pelo SUS passou de 39.480 para 77.113. O aumento de mortes ultrapassa os 23% no período, segundo as mesmas estatísticas. De janeiro a setembro do ano passado, a Unidade de Emergência de Arapiraca recebeu 6.847 vítimas de acidentes envolvendo motos. No Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, foram 2.970 atendimentos pelo mesmo motivo. Num espaço de sete meses, são quase 10 mil casos. É alarmante e muita coisa precisa ser feita para minimizar esses dados assustadores. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran), as autoridades precisam tomar uma atitude urgente, imediata, sob pena de aumentar a cada dia o número de corpos mutilados, estendidos no asfalto, vítimas da ignorância de milhares de jovens que fazem da motocicleta a arma preferida ao próprio suicídio. Mudança no código de trânsito brasileiro, restrições para circulação de motos, enfim, as ruas não podem continuar matando motoqueiros.