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AS AVENTURAS DE PI E A MENSAGEM DE FIM DE ANO

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Fui ao cinema embalado pelos comentários acerca dos efeitos especiais e arte gráfica do filme de Ang Lee. Jamais pensei que me surpreenderia com outros aspectos da película. Mas, logo no começo do filme, quando o diretor utiliza uma criança, filho de representantes da Índia moderna, mais ligados à ciência do que à religião, para, numa sensibilidade incrível, trabalhando os sentimentos de ingenuidade e curiosidade ? só encontrados numa criança ?, fazer uma abordagem pura de sentimentos positivos trazidos por diversas religiões, realmente me surpreendi. Pi (Piscine Molitor Patel) se aproxima do hinduísmo, da religião muçulmana, do cristianismo e, em seguida, em idade mais avançada, passa a ser próximo do judaísmo, através da cabala, aprendendo sobre tais religiões e se identificando com aquilo de positivo que consegue extrair de cada uma dessas crenças. Parece paradoxal uma pessoa se aproximar de diversas religiões, mas não é essa a mensagem do filme. A história mostra como o aprendizado na vida e as crenças nas religiões ajudaram o personagem em situações extremas, como na sobrevivência a um naufrágio, num pequeno barco salva-vidas, na companhia de um feroz tigre de bengala. Não se trata de crença às cegas, típica dos fundamentalistas. Em recente artigo publicado no The New York Times, o Rabino Jonathan Sacks, rabino chefe das Congregações Hebraicas Unidas da Comunidade Britânica e membro da Câmara dos Lordes, intitulado ?The Moral Animal?, que tratou da religião no Ocidente na era do consumismo, afirmou: ?A religião é o melhor antídoto para o individualismo nesta era do consumismo?. Pois bem. Num ano que pouco evoluímos na erradicação da pobreza e da fome no mundo; os países em desenvolvimento não tiveram um avanço significativo na luta contra a violência e as drogas; a intolerância religiosa e o fanatismo fundamentalista prevaleceram em países do oriente; o velho mundo foi assolado por crises econômicas; países desenvolvidos foram marcados por massacres de crianças e inocentes; desejo-lhes, independentemente de qual seja a sua crença, um 2013 melhor do que foram os anos anteriores: próspero, com saúde, alegria, realizações, altruísmo e paz, no seu mais amplo sentido. Nesta virada de ano no calendário cristão, Shaná Tová Umetuká (um ano novo bom e doce ? em hebraico) e Salaam Aleikum (que a paz esteja sobre vós ? do árabe).

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