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Os riscos do maior consumo

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Destarte a angústia nacional pelos alardeados riscos de apagão, o consumo de eletricidade não parou de crescer. Segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico, consumiu-se mais 4,2% de energia em 2012 que no ano anterior. E mais, o Nordeste foi o campeão de ?consumismo? no ano passado: alta de 7,4%. Subir o consumo em tempos de aperto na produção do produto é algo sempre temerário, especialmente se para o futuro imediato esse mesmo produto está sendo anunciado como mais barato. Tal conjugação de fatores indica problemas. Por outro lado, esse conjunto aponta para contradições no processo de desenvolvimento brasileiro, onde o sonhado ritmo positivo de crescimento econômico e de ascensão social em massa não está sendo rimado com um correspondente incremento na infraestrutura básica, aí se destacando as insuficiências crescentes no sistema energético nacional. Como nos ?versos de pé quebrado?, essas disritmias impactam e produzem sustos, que, ao contrário dos efeitos alegres determinados pelas habilidades de poetas e recitadores, podem causar resultados desastrosos. A própria notícia de aumento expressivo de consumo no NE se destaca pelo lado preocupante, apesar de poder indicar um maior peso no crescimento da região. Em termos nordestinos, a questão que se coloca, ao leigo que desconheça a realidade de interligação dos sistemas elétricos em todo Brasil, é a de como conseguiremos gerar mais e mais energia. Sabe-se que poucas opções hidrelétricas restam ao Velho Chico, já bastante sugado em seus desníveis naturais e, além de tudo, sangrado sem pena por projetos como a temerária ?transposição?. A preocupação é mais do que justificada, mesmo dissipando-se o alarde em torno dos supostos riscos de apagão. O dilema é simples e fácil de entender: o Brasil (e o NE especialmente) precisa de muito mais energia. E os projetos mais importantes, como as hidrelétricas amazônicas, estão sendo bombardeados pelos retrógrados de plantão. Enquanto isso, o consumo, naturalmente, não vai parar de crescer.

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