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Opinião

A hist�ria no lixo

Sem medo de errar, pode-se descrever a situação do “Papódromo” como um escárnio contra a história e contra a religiosidade. Marco da passagem do papa João Paulo II por Alagoas, o monumento foi acertadamente concebido para estender-se no tempo como polo

Por | Edição do dia 25/01/2013 - Matéria atualizada em 25/01/2013 às 00h00

Sem medo de errar, pode-se descrever a situação do “Papódromo” como um escárnio contra a história e contra a religiosidade. Marco da passagem do papa João Paulo II por Alagoas, o monumento foi acertadamente concebido para estender-se no tempo como polo de concentração popular. Não era destinado a ser um templo, embora sua gênese tenha sido eminentemente religiosa; destinava-se a uso múltiplo, além das celebrações cristãs, como espetáculos laicos nas áreas de música, dança, cinema, teatro e tudo o mais que pudesse ser apresentado ao ar livre. Ocupação não lhe faltaria. E, melhor, aquele centro de irradiação cultural fora encravado, propositalmente, numa das áreas mais belas de Maceió e, mais ainda, entre habitações de baixa renda. Indubitavelmente, o dia 9 de outubro de 1991 foi apoteótico, único, na história alagoana. João Paulo II, um dos papas mais expressivos dentre os notáveis homens que já sentaram no trono de São Pedro, estava em Maceió; e, à margem dos canais que ligam as lagoas Mundaú e Manguaba, proferia sua homilia, aberta com uma citação de Mateus: “Ide vós também, para a minha vinha”. Mais adiante, o santo padre saudava todos os alagoanos: “Queridos irmãos e irmãs de Alagoas e do Brasil! De vossa bela terra, que deu tantos filhos ilustres à pátria, quero elevar a Deus minha prece pelo homem brasileiro que precisa de trabalho e de teto. Deus ilumine a todos, de modo especial aos que conduzem os destinos do País, para que encontrem caminhos sábios e eficazes na solução de problemas do trabalho e da moradia. Um país tão jovem precisa cada ano de ver crescer os postos de trabalho”. Ao vivo, as palavras do vigário de Roma eram transmitidas para o resto do Brasil e do mundo; e as câmeras de TV, intercalando imagens do belo crepúsculo na lagoa com a do papa discursando e orando, também se demoravam na arquitetura do sítio erigido para tal evento. Repita-se a classificação: uma apoteose. Vinte anos depois, o marco daquele momento sublime e universal está transformado numa cloaca, num infecto depósito de lixo. E será que vai ficar assim mesmo?

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