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Nº 5692
Opinião

P� DE CAL

Parece não ter sido tão legal a repercussão da bufunfa paga à cantora Ivete Sangalo por uma apresentação no Ceará. Não que ela não faça jus até a mais. Merece uma homenagem quem tem forças para cantar. Longe do autor a pretensão de pautar honorários de q

Por | Edição do dia 26/01/2013 - Matéria atualizada em 26/01/2013 às 00h00

Parece não ter sido tão legal a repercussão da bufunfa paga à cantora Ivete Sangalo por uma apresentação no Ceará. Não que ela não faça jus até a mais. Merece uma homenagem quem tem forças para cantar. Longe do autor a pretensão de pautar honorários de quem quer que seja. Sobretudo, quando se sabe que há quem desembolse duzentos mil reais (ou mais!) para ouvir o ex-presidente Lula cometer conferências, talvez detalhar como fazia, nos velhos tempos de sindicalista, para papar tantas viuvinhas, preencher-lhes o vazio da solidão. Ensinamentos, enfim, que devem ter alguma importância. O chato em relação à pernuda cantora é que os seiscentos e cinquenta mil reais foram extraídos dos cofres públicos. Além disso, há quem considere muito espalhafate para a inauguração de um hospital. Mesmo em Sobral, principado dos Gomes (Cid e Ciro). Quem sabe, fosse mais adequado convidar médicos para conferências, adquirir equipamentos, ou alguns mutirões cirúrgicos... O fato é que, apesar dos Gomes da vida, da Sangalo, do Lula e seus asseclas, a saúde no País está uma desgraça. Por sinal, mesma conclusão, divulgada esta semana, de duas personalidades que acabam de assumir as rédeas do setor em Maceió: o secretário João Marcelo e o prefeito Rui Palmeira. O desmantelo é nacional. Em dezembro de 2012, todo mundo tomou conhecimento que um neurocirurgião, no Rio de Janeiro, costumava faltar aos plantões e nenhuma providência foi tomada para substituí-lo. A razão é muito simples: não se encontra ninguém para dar plantões. Em São Paulo, cuja demanda reprimida para exames e cirurgias extrapolam as mais pessimistas previsões, ONGs “politicamente corretas” e governo estadual trocam farpas sobre o internamento compulsório de usuários de crack. Enquanto dura a estéril retórica, os usuários – uma legião de desgraçados – continuam ao léu, fazendo de conta que têm vontade própria para dirigir suas vidas da forma que lhes aprouver. Em Alagoas, mais uma vez, prenuncia-se uma greve dos cirurgiões da Emergência. A superlotação do HGE, a recorrente penúria da Maternidade Santa Mônica e a ridícula cobertura do PSF, dentre outras, são feridas incuráveis. Derradeira esperança, o recém-empossado secretário João Marcelo considerou “impagável” a dívida herdada para com os hospitais. Assando e comendo, humilhados, ainda que não se queira entrar nas reais razões do catastrófico legado, a simples demora nesses pagamentos é a pá de cal nos hospitais.

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