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Opinião

A ESCRAVID�O DO MEDO DA MORTE

Por estes dias, na Liturgia da Igreja, escutamos a Epístola aos Hebreus dizendo que Jesus, fazendo-Se homem, “libertou os que, por medo da morte, passavam a vida toda sujeitos à escravidão” (Hb 2,15). Que significam tais palavras? Que medo da morte é este

Por | Edição do dia 27/01/2013 - Matéria atualizada em 27/01/2013 às 00h00

Por estes dias, na Liturgia da Igreja, escutamos a Epístola aos Hebreus dizendo que Jesus, fazendo-Se homem, “libertou os que, por medo da morte, passavam a vida toda sujeitos à escravidão” (Hb 2,15). Que significam tais palavras? Que medo da morte é este? E, por que ele escraviza, assim, tão fortemente, a ponto de necessitar da encarnação do Filho eterno? E como o Filho nos liberta dessa escravidão? Morte é tudo aquilo que nos nega, que nos contrista: cada tristeza, cada renúncia, cada derrota, cada decepção, cada perda, cada separação, cada medo, cada solidão, cada lágrima derramada, cada fracasso. Morte é, enfim, a morte do termo da nossa vida. E temos medo da morte. A ânsia que temos de viver é tamanha, que pensamos dever fazer tudo do nosso modo para escapar das experiências negativas e dolorosas, custe o que custar... E, nesta ilusão, quebramos propósitos, rompemos compromissos, transgredimos preceitos do Senhor, esquecemos o próprio Deus, e pensamos, e dizemos, e gritamos: “Tenho que ser feliz, tenho o direito de ser feliz, o único que importa é ser feliz do meu jeito!”. Por medo de morrer as mortes da vida, terminamos por cair na morte da escravidão de nós mesmos, do nosso pecado. Bem que Jesus nos previne: “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la” (Mt 16,25). Jesus nos salva de tamanha e tão total perdição. Ele Se fez um de nós, viveu em tudo a nossa condição; mas, não teve medo da morte! Abandonou-Se totalmente nas mãos do Pai, fazendo-Se a Ele obediente até a morte e morte de cruz! Nos embates e lutas da vida, Ele aprendeu a obedecer no sofrimento (cf. Hb 5,8s) tornando-Se livre e libertador! Jesus foi livre – totalmente livre – a ponto de exclamar: “Ninguém tira a Minha vida. Eu a dou livremente. Tenho o poder de entregá-la e o poder de retomá-la. Este é o preceito que recebi do Meu Pai” (Jo 10,18). Assim livre, senhor de Si, totalmente obediente, Ele foi até a cruz. Ressuscitado, dá-nos Seu Espírito que, agindo em nós, configura o nosso coração ao coração do Salvador, colocando a nossa vida na Sua obediência e na Sua liberdade. Estas coisas dizem respeito a cada um de nós! O próprio Jesus nos preveniu: “Se o Filho vos libertar, sereis realmente livres” (Jo 8,36). É Ele – somente Ele – quem, de fato, nos livra da morte, pois é o único que é capaz de nos fazer atravessar os vales das mortes e entrar na vida verdadeira. Vá: seja livre; largue tantas escravidões, geradas da tola ilusão de salvar você mesmo a sua vida, às vezes passando por cima de Deus, dos outros e até da sua consciência. Seja livre, meu Leitor! Sejamos nós livres! Para isto, fomos criados e salvos por Cristo: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou!” (Gl 5,1).

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