Opinião
REFER�NCIAS DE UM CARNAVAL
Se o carnaval tem muitas facetas de extravasamentos, de emoções reprimidas, a música tem um papel de atuação preponderante sobre o indivíduo e sobre as massas. A música não se explica, sente-se. Música e carnaval tiveram uma evolução afirmativa nos últimos vinte anos. De dezenas de movimentos musicais não se pode deixar de salientar o importante papel dos Seresteiros da Pitanguinha; nos movimentos carnavalescos, o Pinto da Madrugada tornou-se um movimento antenado com marca registrada e vitoriosa. Cada época em Maceió tem características bem definidas de seu carnaval. Os sessentões alcançaram um carnaval de rua bem diferente do atual e de muita efusão. Havia o corso na Rua do Comércio: um desfile de carros alegóricos, enfeitados, coloridos, trazendo foliões cujas fantasias desafiavam a imaginação. Os hoje proibidos lança-perfumes eram largamente utilizados. Lançava-se o perfume nos foliões e aspirava-se até o êxtase. Nos bairros, havia festas marcadas por muita animação. Morando na Pitanguinha na década de 1990, acompanhei o nascimento e evolução dos Seresteiros; anos depois, tendo mudado para a Pajuçara, assisti e acompanhei aos entusiasmados desfiles do Pinto da Madrugada. Para mim, uma revolução musical e uma renovação carnavalesca que fizeram história. Na Pitanguinha, participando de uma reunião na igreja local, tomei conhecimento através de dona Alda e sr. Duca, líderes comunitários, que ali se instalava um grupo musical de seresteiros. Parecia ? diziam ? gente boa e animaria o bairro. Algum tempo depois, assistimos ao desfile desse grupo, caminhando, cantando e tocando pelas ruas principais. A população exultava com a exibição e acompanhava essas apresentações. Um fato chamou minha atenção; muitos dos participantes eram conhecidos, médicos, advogados e outros profissionais de nível superior. Hoje, é um dos pontos altos do carnaval. O Pinto da Madrugada é outro fenômeno. Como metáfora, no início, poderia ser considerado um pinto; mas cresceu extraordinariamente virando um galo de muitas cristas, ou, indo mais longe, uma comitiva de gente alegre que se espraia pela avenida da praia. Uma agremiação carnavalesca criada por um seleto grupo de parceiros, que de movimentos intelectuais partiram para a folia momesca. Nos dois casos, seria impossível citar um a um os dirigentes das duas entidades. Através dos médicos Emmanuel Fortes Cavalcante e Marcos Davi Melo, gostaria de saudar esses vitoriosos dirigentes da renovação do carnaval alagoano. Sementes que se transformaram em frondosas florestas.