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Opinião

ISABEL E O POLITICAMENTE CORRETO

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Uma releitura recente da monarquia no Brasil fez surgir o pedido de abertura de um processo que poderá culminar na beatificação ? primeiro passo à canonização ? da princesa Isabel. No entanto, bastou a ideia da beatificação tomar forma, vozes do politicamente correto iniciaram seu patrulhamento ideológico, querendo ditar à Igreja quem deve ou não ser reconhecido como santo. A verdade é que, desde os tempos da Revolução Francesa, a história se tornou refém do preconceito republicano. Tudo aquilo ? fatos e personagens ? ligado à monarquia é indigno de qualquer virtude. Basta lembrar a forma jocosa como é transmitida até hoje o período colonial e monárquico no Brasil às gerações atuais. Junta-se ao preconceito republicano o viés marxista que invadiu os espaços intelectuais no Brasil. Por mais que se negue, a chave de leitura da história é sempre a luta de classes, na qual o oprimido é sempre a encarnação da bondade, e o opressor é a manifestação da maldade. Como se não bastasse tudo isso, há ainda o preconceito anticatólico. Por mais que alguém tenha competência, caso se apresente fiel ao catolicismo, com certeza, será cerceado e deturpado nas suas intenções. Outro fator somado aos anteriores é o surgimento do antagonismo forçoso entre as chamadas ?minorias? e a ?maioria? da população. O fato de o sujeito ser integrante de umas destas minorias, torna-o ?santo? naturalmente. Por outro lado, se um indivíduo fizer parte das classes da ?maioria? é de uma natureza má e incorrigível. Assim, se o indivíduo for branco, aristocrata, católico e heterossexual ? ou ao menos preencher dois desses requisitos ? terá pouca chance de ser reconhecido por seus méritos. A própria história deturpará os fatos, contando mentiras repetidamente até que se tornem verdades. Vítimas recentes disso são o papa Pio XII, o presidente Fernando Henrique Cardoso, e, agora, a princesa Isabel. Para os militantes do politicamente correto não importa se a filha de dom Pedro II, como cristã, teve virtudes arraigadas a ponto de ser alçada à dignidade dos altares. O fato de ser branca, aristocrata, heterossexual e católica, torna-a essencialmente má. Sinceramente, a ditadura do ?bom mocismo? é tão cruel quanto qualquer ditadura. É de fazer medo.

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