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O CANAL FANTASMA

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Remonta ao início do século 20 a primeira ideia de trazer água da Vila da Pedra para Palmeira dos Índios, fruto da mente privilegiada de Delmiro Gouveia. Mataram-no! Em meados do mesmo século, um engenheiro do DNOCS, alagoano, elaborou um traçado preliminar que esbarrou no desnível entre o Rio São Francisco e a região sertaneja. Em 1978, o IPT-SP foi contratado pela Codeal ? extinta ? e apresentou algumas alternativas visando levar água para a Bacia Leiteira que, ao signatário, pareceu imprópria ? gado gordo, povo com fome e sede. Em março de 1990, o ora senador Fernando Collor de Mello assumiu a Presidência da República e logo recebi um convite para me reunir em Brasília com o prof. Goldemberg, recém-nomeado secretário de Ciência e Tecnologia. O Canal do Sertão alagoano estava na pauta, assim como a criação de núcleos de meteorologia nos Estados do Nordeste, onde, hoje, se destaca em nível nacional o de Alagoas por ter instalado, com o apoio da Agência Nacional de Águas, a primeira Sala de Alerta do Brasil. Geraldo Bulhões iniciou os serviços de tomada de água e as escavações de alguns trechos do canal que perpetuaria o nome de quem o construísse. Abraçou a minha sugestão de mudar o traçado para beneficiar Palmeira dos Índios e Arapiraca, em cujas cercanias estão as terras mais propícias à fruticultura irrigada. A obra parou por motivos diversos e assim se manteve durante os governos subsequentes. Ora era entregue à Codevasf, ora voltava para a gestão do Estado e entendi que houvera, sabe-se lá quando, um pacto político para concluí-lo em vinte anos, uma obra que, com recursos disponíveis, poderia ser executada em três. Ronaldo Lessa retomou a obra que se arrasta tantos anos depois, estando parcialmente concluídos cerca de 65 quilômetros dos 250 que levariam água para Arapiraca, o que confirma o saber de meu saudoso pai, que duvidava da mudança de mentalidade política regional para educar o sertanejo e lhe permitir abrir as porteiras do curral eleitoral. Carreguei nas costas durante cerca de 30 anos esse canal fantasma enfrentando tudo e todos, com ênfase para políticos ribeirinhos do São Francisco, hoje dele defensores desde criancinhas, e o próprio povo que o criticava lhe dando a alcunha de obra faraônica, enquanto, parados no tempo, esperávamos a sequidão da década de 2010 que arrasará o Sertão. Ainda há tempo de corrigir os erros. Vontade política e recursos federais permitem concluir a obra na atual gestão, quiçá na próxima. Obras do PAC, em andamento, requerem a vistoria da presidente.

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