loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O SACRIF�CIO

Ouvir
Compartilhar

Passados já tantos dias, muito se falou sobre a tragédia do Rio Grande do Sul. Talvez fosse até desnecessário voltar a tocar nesse assunto, mas quando me vem na lembrança as cenas horripilantes vistas em fotos e vídeos, penso não simplesmente na comoção nacional que mexeu com sentimentos e corações até dos humanos mais insensíveis. Ficou na memória a imagem da dor, sofrimento, o desespero de pais e avós diante daquela imolação. Como pai e avô de adolescente, feriu-me a alma ao ponto de não resistir às lágrimas ao ver as imagens de mais um holocausto em pleno século 21. O holocausto brasileiro! O sacrifício que tirou a vida estupidamente de 237 jovens universitários, até ontem, segunda-feira, faz-nos lembrar de outras tragédias ocorridas como o Edifício Joelma, em 1974, com 184 vítimas; o acidente do avião da TAM em congonhas em 2007, que matou 199 pessoas. O voo 1907 da Gol, que, ao chocar-se com outra aeronave, em 2006, vitimou 154 passageiros. Nada, nada se compara ao que aconteceu na madrugada daquele domingo em Santa Maria. Nem mesmo na catástrofe da Serra das Araras, em 1967, onde se estima que 1.700 seres humanos foram tragados por uma avalanche de terra que despencou impiedosamente. O País ficou em estado de choque, é verdade. Mas, na fatídica madrugada de 27 de janeiro, foram embora centenas de esperanças de um Brasil melhor. Sufocados pela fumaça venenosa, jovens com idades entre 16 e 22 anos levaram ao desespero pais e mães que deram suas vidas investindo para fazer dessa gurizada cidadãos de bem no futuro. Quem sabe, muitos deles poderiam talvez, mudar o destino desta Nação na política, na tecnologia, na medicina, no direito, enfim, nas muitas atividades profissionais que um país emergente pode oferecer? De quem é a culpa da carnificina? Parece fácil arranjar culpados agora. Acusar os donos da boate? Prendê-los, algemá-los? Será esse o melhor caminho? Sinceramente, não creio. Provavelmente, é a maneira mais fácil de justiçar a omissão. E os órgãos municipais, estaduais que deveriam exercer o papel fiscalizador, não respondem por nada? Só depois do morticínio em Santa Maria é que as autoridades do meu país estão descobrindo que as casas de shows e espetáculos, quase nenhuma está em situação regular de funcionamento. Daí, entendo que os donos da Kiss não podem ser punidos sozinhos. As responsabilidades devem e precisam ser divididas.

Relacionadas