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Opinião

GUETOS AO AR LIVRE

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O Estado não sai da inércia para pleitear o direito do cidadão; este deve acioná-lo para defesa de seu direito. Em um Estado Democrático de Direito, tem-se plena ?liberdade? de escolha, diferente de um Estado de Direito. Norteado pelo Estado Democrático de Direito, os constituintes preocupados em não deixar que o lado negro de nossa história viesse a nos assombrar, tomaram excessos, e, como todo excesso traz consequências, essas apareceram em uma geração pós-paz e amor na segunda metade da década de 1960 em que esta tinha um objetivo. A atual nasceram em um Estado Democrático de Direito, e não viveram nem presenciaram os horrores de um sistema despótico. A Alemanha não quer lembrar os horrores cometidos pelo Terceiro Reich e tem na atualidade o Estado Social e Democrático de Direito, e nem por isso a nova geração confundem liberdade democrática com liberdade transviada. É certo que nossa realidade difere e muito da Alemanha que, a exemplo do Japão, renasceu das próprias cinzas. Se não fosse pela disciplina e força de vencer desses países, o cenário mundial poderia ter dois países de favelados. Entretanto, têm-se duas das maiores economias do mundo. Diferentemente do Brasil, que após derrotar Antônio Conselheiro, o governo da época prometeu aos soldados que lutaram em Canudos casas próprias; e de tanto esperarem, foram aos poucos ocupando o morro do Rio de Janeiro construindo suas casas com restos de materiais e, hoje, a Cidade Maravilhosa tem as maiores favelas do mundo. Nosso maior problema é que se aplica a ?política? de deixa como está para ver como é que fica, e no presente temos as crackolândias. Se apagarmos a toia de cigarro jogada em uma floresta, evitamos sua queimada. A decisão tomada pelo governo para a internação compulsória dos dependentes químicos de crack é um exemplo daquela política. E é por isso que se abre um leque de pseudopensadores dizendo que a aplicação da Lei 10.216 foi uma atitude errada, porque tal decisão deve partir da pessoa viciada. É bem verdade que temos o livre arbítrio. Adão e Eva que os diga; e suas escolhas fizeram perder o paraíso. Em minha opinião, o Estado tomou tardia a decisão de apagar a toia de cigarro, o bosque há tempo está em chamas, e além dos baldes d?água para apagá-lo, precisa convencer os pseudopensadores que essa é a solução mais adequada.

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