Opinião
REN�NCIA DO PAPA: HUMILDADE E GRANDEZA
Mais uma vez, o mundo tornou-se palco de uma notícia inesperada: Bento 16 renunciou recentemente ao ministério como sumo pontífice. Não foi a primeira vez na história da humanidade que isto aconteceu, mas por conta da raridade, a surpresa é expressa em todas as ambiências, sejam religiosas ou não. O que aconteceu? Por que ele tomou esta decisão? Inúmeras especulações começaram a surgir. Teorias de conspiração, profecias apocalípticas, previsões cabalísticas, informações da numerologia, estão entre as mais citadas pela mídia, e por conta de sua força, acabam se desdobrando nas menores conversas do dia a dia. Alguns desprovidos de inteligência e de conhecimento da causa tecem comentários infelizes, talvez mais por um desejo de denegrir a imagem da Igreja do que opinar sobre um acontecimento. Contudo, isso não nos surpreende. Recebi a notícia em um retiro nos dias de carnaval, e diante do ocorrido, veio-me à mente o quanto aquele homem por trás da Mitra é revestido de humildade. Sim, sua coragem e sinceridade para consigo, permitiu-o tomar a decisão da renúncia. Imagino o quanto foi difícil! Sinal de sua autenticidade e retidão. Em nota oficial da CNBB, os bispos pronunciavam-se: ?acolhemos com amor filial as razões apresentadas por Sua Santidade, sinal de sua humildade e grandeza, que caracterizaram os oito anos de seu pontificado?. Razões estas expressas de forma tão clara pelo nosso querido Bento 16, ao falar que suas forças ter-se-iam idas por conta da idade avançada, não sendo mais apropriadas para o exercício de seu ministério. Um mundo marcado pela competitividade, pela vontade de ascensão, por uma busca de reconhecimento público e de aplausos, se surpreende pela humildade e grandeza de um ato. A renúncia do papa demonstrou sua lucidez diante da magna missão que exercia, como também, seu profundo conhecimento de si mesmo. Somente um homem humilde é capaz de afirmar que outro pode ser o melhor para algo por ele liderado. Desapego! Por amor à Igreja, Bento 16 tomou tal decisão, após ter orado arduamente e examinado sua consciência. Livremente, caríssimos! E por isso, mais uma vez, deixou-nos surpresos, por vê-lo tão ?humano? e, assim, tão próximo de Deus.