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Opinião

Erros que se repetem e solu��es em falta

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Ninguém pode ser contra a reforma agrária, assim como ninguém pode se postar na contramão dos direitos humanos. Na mesma linha de obviedades, não haverá ninguém a defender por aí ? abertamente ? a concentração de renda. E, não obstante, multiplicam-se as famílias em beira de estrada, praças de cidades e assentamentos provisórios, todos à espera de uma propriedade rural para produzir e nas terras viver. Embora não tenha inimigos, os diretos humanos são violados a cada minuto em qualquer lugar do mundo. E por mais que haja esforços verdadeiros, estamos longe de uma distribuição de renda que contemple a maioria da população como deveria ser. Ao contrário, as pesquisas atestam que continua sendo uma ínfima parte da sociedade, em qualquer país, a controlar a riqueza. Nesta edição da Gazeta, uma reportagem mostra o que se passa em Joaquim Gomes, município da região Norte do Estado, que abriga assentamentos da reforma agrária em Alagoas. O texto constata algo que é marca no País. Projetos com o dinheiro público sofrem com um conjunto de deficiências que definem nosso padrão governamental. No caso da reforma agrária ? mas não exclusivamente ?, os erros locais e os erros federais se misturam no liquidificador mortal do fracasso. Cada um diz fazer sua parte e ninguém toca sua missão de maneira completa como deveria. A omissão de um justifica o marasmo do outro, que serve para explicar a ação suspeita de mais outro. E vai por aí a teia de desastres. De tal modo que ? descobre-se com uma terrível frequência ? a cada temporada sai notícia sobre algum megaprojeto abandonado, despois de um lançamento com tanta pompa e holofotes. Quantas obras estão por aí abandonadas reproduzindo o crime hediondo de desperdício, ou roubo, do dinheiro público? O país que avançou tanto na plena liberdade pós-ditadura militar está longe de fechar essa equação. É muito fácil encontrar absurdos tipicamente brasileiros.

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