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Entraves antigos para a reforma agr�ria no pa�s

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Enquanto o aparato policial garante mais uma reintegração de posse determinada pela Justiça, devolvendo terras para seus donos oficiais, assentamentos vivem situação degradante, inclusive marcados por casos de violência ? até assassinatos ?, como esta Gazeta mostrou no último domingo. Ao mesmo tempo, espalham-se os episódios igualmente criminosos de assentados que vendem os lotes que receberam dentro de um processo legal, cuja meta essencial é finalmente a reforma agrária. Entre os dois extremos estão os muitos grupos de famílias que rodam de cidade em cidade, morando em praças e prédios públicos, para forçar a desapropriação de fazendas que, entendem os líderes do movimento, são improdutivas e devem ser expropriadas para os sem-terra. Segundo dados do próprio governo federal, o ritmo da distribuição de terras caiu no governo Dilma em comparação à gestão de seu mentor político, o ex-presidente Lula. Vários motivos podem ser especulados para explicar essa desaceleração. Mas os números da gestão atual estão longe de representar o principal problema para as variadas siglas que arregimentam famílias para a condição de sem-terra. Mais grave é perceber que a redistribuição de terras, sob os cuidados do Incra, está contaminada por males de muitos anos atrás. Não se resolvem questões básicas, como o controle efetivo sobre as áreas levadas ao destino da reforma agrária. As famílias que finalmente recebem lotes para morar e produzir na agricultura enfrentam o outro lado da eterna crise: entregue o pedaço de terra, a infraestrutura prometida nunca chega; ou chega sempre pela metade, no improviso. Assim, o Brasil vai tocando esse projeto de dar terras para todos que precisam de maneira negligente. E não se vê no horizonte qualquer sinal de avanço na administração dessas demandas. O ministério parece distante das realidades regionais. E nos Estados, o Incra acaba sendo usado como via eleitoral.

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