Opinião
A ROMARIA DOS PREFEITOS
Não fora esta a primeira e nem será, obviamente, a última tentativa dos prefeitos em busca de recursos e maior apoio do governo federal. A forte centralização que caracteriza, sempre, o sistema presidencialista (daí a necessidade de se aprovar a tese oportuníssima do senador Fernando Collor sobre parlamentarismo) gera um verdadeiro massacre e uma humilhante subordinação à soberana vontade da presidente. Um país não sobrevive, exclusivamente, de seu palácio presidencial, seus ministérios, agências reguladoras e demais órgãos. Sua força está exposta no princípio da soberania que, em verdade, fica representado pelos Estados e municípios. Estes, sobretudo, abrigam todas as riquezas nacionais: solo, subsolo ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, indústrias etc. A arrecadação dos pesados impostos que são canalizados à Receita Federal, quase sempre mal utilizados, representa uma imensa fortuna, com parte desviada para cobrir despesas supérfluas, a exemplo dos inúmeros ministérios, agências reguladoras, gastos com cartões corporativos e outros penduricalhos, indiscutíveis sangrias nacionais. As benesses fiscais que são comumente oferecidas apenas às indústrias de grande porte servem de justificativa para criação ou aumento de impostos e as falhas da administração, que não sabe aplicar com sabedoria, eficácia, ponderação e parcimônia, o significativo valor arrecadado. Quem paga a conta, geralmente, é o assalariado, em face do desconto obrigatório na fonte. Agora, frente ao anúncio de partilha dos royalties do pré-sal, mostra-se uma piada a justificativa do governador do Rio de Janeiro de que estaria em risco a Copa, como se a extração do óleo nas profundezas do mar, fosse brinquedo de boneca e surgisse a proclamada fortuna num passe de mágica. É uma deslavada chantagem e um egoísmo sem limites! Estamos vivenciando um momento preocupante, a começar pelo anúncio de reajuste dos combustíveis, em que pese as demagógicas e constantes afirmações de que tudo vai bem e que não haverá aumento algum. Os constantes apagões, seguidos de pálidas e inadmissíveis desculpas de autoridades incompetentes, mostram que o Brasil não é aquela ?maravilha? que a imprensa sulista sempre exalta, seja para obter gordas verbas publicitárias, seja diante de interesses inconfessáveis e que fogem ao conhecimento do pequeno mortal, do eterno pagador de tributos, só paparicado às vésperas das eleições. O Nordeste, região rica, contribuidora com quase 14 % do PIB, porém desprezado, carece, pelo menos no momento, de investimentos em torno de 26 bilhões de reais, consoante diagnóstico da CNI. Essa importância seria empregada em todos os Estados nordestinos, especificamente na ampliação e modernização de rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, que não atendem às prementes necessidades da populosa e carente região. O PAC, divulgado como ?salvador da pátria?, porém revestido mais de cunho eleitoreiro, anda a passos de tartaruga. A nossa esperança é que a bancada nordestina ofereça maciço apoio ao governo federal, intensifique um trabalho diuturno, porque o Brasil não é exclusivamente o ?país das Copas?, mas, sobretudo, uma pátria una e indivisível, sem a submissão ao estrangeirismo.