Opinião
A greve dos m�dicos e o papel do governo
Médicos que atuam no serviço público estadual protagonizaram um forte protesto diante do governador Teotonio Vilela Filho, durante a abertura solene do ano de trabalho na Assembleia Legislativa. O constrangimento a que foi submetido o governador é decorrência da forma equivocada com a qual sua gestão vem lidando com esse impasse. São vários meses de um embate com excessos dos dois lados. Mas não resta dúvida quanto ao responsável maior pela crise que se arrasta sem previsão de acordo: o governo errou várias vezes e continua errando ao fechar os canais de negociação. Quando não é esse o caso, tem-se aquela situação em que os gestores dizem uma coisa para os microfones e câmeras, mas fazem outra bem diferente nos gabinetes. Enquanto falta capacidade do ente público para resolver o grave problema, as consequências vão se alastrando em hospitais e unidades médicas. Profissionais desistem do Sistema Único de Saúde e partem em definitivo para a iniciativa privada. Claro que não há reposição automática, principalmente em especialidades mais complexas, com poucos profissionais na praça. Também não existem perspectivas para concurso e abertura de vagas para médicos. O governo se mete assim numa sinuca de bico, esticando um quadro que jamais poderia ter chegado ao ponto que chegou. Mas não se deve esquecer que já houve até prisão de liderança sindical no curso desse duelo. Desgraçadamente, o mal maior atinge a ponta mais frágil em tudo isso, que é a população que precisa de atendimento médico pelo SUS. Na última terça-feira, cercado pelos profissionais na Assembleia, o governador repetiu a cantilena de meses, usando argumentos que não contemplam a essência da crise, mas apenas escamoteiam a realidade. Mais uma vez, espera-se por um momento de bom-senso governamental para, finalmente, abrir um caminho real a fim de selar a paz com a categoria de servidores. Não há mais tempo a desperdiçar com intrigas e retaliações. As autoridades têm obrigação de agir rápido, com equilíbrio.