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Opinião

MORTES NA UTI DE CURITIBA E O PRIMUM NON NOCERE

Recorrentemente, surge uma situação crítica em hospital pelo mundo: alguém estaria descuidando dos cuidados e apressando a morte de pacientes gravíssimos, como na UTI de hospital de Curitiba. Com o desenvolvimento e o aprimoramento da medicina, pode-se mo

Por | Edição do dia 23/02/2013 - Matéria atualizada em 23/02/2013 às 00h00

Recorrentemente, surge uma situação crítica em hospital pelo mundo: alguém estaria descuidando dos cuidados e apressando a morte de pacientes gravíssimos, como na UTI de hospital de Curitiba. Com o desenvolvimento e o aprimoramento da medicina, pode-se modificar, na maioria das vezes, a história natural das doenças. É possível prolongar a vida e adiar a morte. Mas até quando um doente terminal, deve ser mantido sob cuidados agressivos e invasivos? A expressão futilidade terapêutica consagrou-se na medicina como a introdução ou manutenção de tratamentos considerados ineficazes, relacionados principalmente aos pacientes internados em UTIs. Surgiram questões não só relacionadas à cura das doenças, como também ao seu controle e principalmente relacionadas à qualidade de vida dos pacientes terminais. Quanto mais a medicina evolui e surgem novos tratamentos e aparelhos para a manutenção da vida orgânica, mais nos deparamos com questões éticas relacionadas àqueles, que, mesmo com todas as técnicas disponíveis, não poderão obter a cura ou mesmo o prolongamento da vida com qualidade. Para isso, a OMS preconiza os Cuidados Paliativos Modernos. A tão perseguida cura começa a dar lugar à busca da qualidade de vida, que, mesmo sendo um conceito pessoal e intransferível, a OMS, segue pela ótica da Bioética dos Princípios, iniciando pelo Princípio da Beneficência: a moralidade requer não apenas que tratemos as pessoas, e que nos abstenhamos de prejudicá-las, mas também que contribuamos para o seu bem-estar. O Princípio da Não Maleficência: determina a obrigação de não infligir dano intencionalmente. Na ética médica, é a máxima primum non nocere: “Acima de tudo (ou antes de tudo) não causar dano”. Deve-se evitar a prática da distanasia (prolongamento da morte com sofrimento), evitar procedimentos invasivos e agressivos que não trarão benefícios aos pacientes. O Princípio da Autonomia: é preciso ouvir o paciente e a família e não somente o médico, proporcionando que a morte ocorra dignamente com o mínimo de sofrimento. Finalmente, o Princípio da Justiça: nos tratamentos médicos, a probabilidade de sucesso é um critério relevante, pois um recurso médico finito só deve ser distribuído entre os pacientes que tenham chance razoável de se beneficiar com ele. Ignorá-lo é injusto, pois resulta em desperdício de recursos que faltarão para outros. Brecht sintetizou: “temam menos a morte e mais a vida insuficiente”.

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