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Entre a m�quina lenta e a falsa consultoria

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Um dos grandes desafios da sociedade é tornar eficiente a máquina pública. Para que isso seja obtido, um dos aspectos que jamais pode ser esquecido é simples: esse é um desafio permanente, uma tarefa que não cessa. Se achamos que algumas medidas corretas encerram a questão, depois de apresentarem resultados, é certo que a máquina voltará a emperrar. O remédio deve ser preventivo, sempre de olho nos perigos da acomodação, da lei do mais fácil, dos vícios da corrupção. Tudo isso começa nas miudezas, infiltra-se na burocracia e encontra o abraço do agente com tendências à conduta desonesta. É uma cadeia evolutiva mortal. Se os governos não tratam de enfrentar o marasmo e o mofo no serviço público, esse estado de coisas logo tomará conta de tudo. E assim, semeia-se a incompetência e a corrupção. Mas é preciso coragem para agir todos os dias. É preciso não ter medo de enfrentar currais em gabinetes e guetos em repartições. Tem de ter bastante coragem para não se submeter aos achaques e às ameaças dos ?aliados?. Lamentável é que um dos entraves para conseguir uma máquina ágil e transparente é justamente as falsas soluções que certos gestores inventam. Um dos mais deletérios desses caminhos supostamente adotados para resolver um problema são as tais consultorias. Não que elas não possam existir e que não sejam legítimas e sérias. Pode ser. Mas o que se vê, quase sempre, são jogadas de baixo nível para dar dinheiro a empresas obscuras, contratadas como se fossem grandes exemplos de competência no assunto. E o pior é quando essas pseudoconsultorias são contratadas sem licitação, pagamento direto, rápido e preciso. Infelizmente, há momentos em que essas práticas passam a ser a marca de algum governo, alguma secretaria, alguns gestores. Fato é que, com uma estrutura pesada e corrupta, sem um eficiente mecanismo de vigilância e renovação de hábitos, qualquer governo vai para o buraco da moralidade. O horizonte, hoje, não é bom.

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