Opinião
O BRASILEIRO E SUA MEM�RIA CURTA
O brasileiro sofre de um mal bem desagradável. Tem a memória curta e facilmente esquece os fatos e as pessoas que em outros tempos, por alguma razão, mereceram a sua consagração. É o que está acontecendo com os ex- combatentes, que, na última guerra mundial, ofereceram seu sangue em defesa da pátria, numa guerra cruel e devastadora, que arrastou para a morte tantos seres humanos, inclusive inocentes passageiros de navios civis que navegavam tranquilamente pela costa de nosso país. A maioria já não vive, o que diminuiu, de forma preocupante, a arrecadação para a manutenção da casa que os abriga, já que o governo municipal, o estadual e o federal negam-se a ajudá-los. Ignoram totalmente os remanescentes de um ato de bravura que não teria sido possível sem a coragem desses militares desprendidos, que na hora do aperto não vacilaram em sacrificar-se pela liberdade da pátria. Mal podem viver com uma pequena contribuição de R$ 20 recebida dos últimos sobreviventes que os tiram do pouco que recebem de suas magras pensões. Quanto ao mausoléu dos ex-pracinhas, vive entregue ao abandono pela prefeitura, que sempre fez descaso dos ex-combatentes, segundo eles, cobrando taxas para o sepultamento ou para os traslados de seus corpos. Mesmo sem utilizarem qualquer ajuda de seus funcionários. Enquanto isso, o Brasil gasta milhões em ajuda aos sinistros acontecidos nos países estrangeiros, só para fazer média no exterior. Que custa a um país que é o oitavo na economia mundial, do que tanto se orgulha, oferecer a essa gente brava um auxílio para que tenham uma velhice digna? Um lugar cuidado para dormir o sono eterno, que sirva como um marco de exemplo e altivez às gerações posteriores! Quanto à Biblioteca Comunitária Professor Antonio Cirino da Silva (homenagem a um ex-combatente) que funciona na sede da associação, apesar de ter recebido uma doação do Conselho Nacional de Bibliotecas, não tem, no momento, condições de ser aberta, diariamente, pela falta de alguns itens e por contenção de despesas. Quem sabe se a nova gestão do município, que está procurando corrigir os erros gritantes das prefeituras passadas, ou os novos legisladores, não acordem para esse tema tão pequeno mas de tão grande repercussão, e ofereça aos ex-combatentes ainda vivos essa atenção que eles tanto merecem pelo muito que fizeram no passado pelo país? Ou se algum empresário mais abonado não possa dar uma ajudinha a esses heróis tão esquecidos, a quem todos os brasileiros devem a democracia que nos garante a liberdade? Ou o Exército, atinando para que algum dia possa passar pelo mesmo problema, não se lembre da sua obrigação de auxiliar seus companheiros de farda?